<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771</id><updated>2011-11-12T16:55:02.848-02:00</updated><title type='text'>Quase um sucesso</title><subtitle type='html'>Quase é o pouco que me falta pra que tudo dê certo. É a infinita distância que liga os dois pontos ou a mínima que os separa para sempre. O mundo é feito de quases.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>77</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-6723492778195971171</id><published>2011-11-12T16:53:00.000-02:00</published><updated>2011-11-12T16:55:02.870-02:00</updated><title type='text'>Microconto XXXII - Obituario</title><content type='html'>António não sabia que era a sua última coca-cola. Tomou de um gole, com pressa, jogou metade da lata fora e saiu correndo, atrasado que estava para um compromisso muito menos importante que aquela coca-cola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-6723492778195971171?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/6723492778195971171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=6723492778195971171&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6723492778195971171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6723492778195971171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2011/11/microconto-xxxii-obituario.html' title='Microconto XXXII - Obituario'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-3340163321351202455</id><published>2011-08-27T13:26:00.002-03:00</published><updated>2011-08-27T13:32:26.481-03:00</updated><title type='text'>Amnésia Alcólica</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vj-3ALgERvw/TlkcC0lsA7I/AAAAAAAAAXw/xKbnOt7S5Bk/s1600/cafe_sol.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 233px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-vj-3ALgERvw/TlkcC0lsA7I/AAAAAAAAAXw/xKbnOt7S5Bk/s320/cafe_sol.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645574442687660978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Intenso foi o sentimento daquela manhã calma e fria. Parecia que olhava tudo com olhos de criança, tudo era novo de novo. Como se tivesse acordado de uma amnésia alcóolica que começou aos dezesseis anos. Logo após aquela festa. Não. Aquele bar. Eu lembro de caminhar por uma rua movimentada, lembro das luzes, lembro de conhecer uma menina. Mas está tudo muito embaçado e o barulho das pessoas falando me impede de escutar o que ela dizia. A música vindo de 3 carros diferentes competindo pra ver quem tem o pau maior me impede de escutar a minha própria voz. Algumas cenas estão pela metade, outras sem foco, outras, ainda, são flashes incompreensíveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele caminha descalço. Sente a grama fria no pé, uma manta de lã no ombro protege o peito. Ele se sente tranquilo enquanto vai até a beira do rio e senta num pedregulho. Devia ter feito café. Inútil lembrar quando começou a tomar café. Foi depois de velho? Quando entrou no serviço público? No cursinho, estudando pro vestibular? É inútil, inútil. Inútil e sem propósito tentar lembrar de tanta coisa. Um erro imbecil achar que somos memória. Não. Somos presente e futuro. Não. Somos memória. Que bosta. É como tentar restaurar uma fita de vídeo cassete. Você limpa tudo, mas alguns pedaços já estão estragados, desses você nunca vai saber nada, pode cortar e jogar fora, outros ficam borrados. Em alguns você não ouve o som, em outros você só ouve o som, em outros, as imágens estão sem foco ou são flashes incompreensíveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De onde eu conheço essa frase? Será que fui eu quem falei? Será que foi ela? Lembro de um beijo intenso, de uma camisa vermelha, de cabelos mexendo frenéticamente. Lembro de não lembrar de onde saiam meus impulsos, mas de me dirigir a ela sem saber o que dizer. Lembro de uma conversa chata pra cacete com amigos de amigos. Há quem diga que é uma forma de fugir, que é fingimento, mas eu tento lembrar e não consigo. Eu devia ter feito um café antes de vir pra fora. Que frio do caralho. Parecia um redemoinho em sua cabeça. O sol começava a levantar. A claridade já anunciava o dia desde as 5h30, mas a claridade é fria e o sol é quente. O sol chega primeiro na altura dos olhos, mas rapidamente desce até os pés e começa a esquentar. Deixa o café pra depois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Intenso é o sentimento de não saber como chegou aqui. Um dia você acorda e estranha sua cama, estranha seus lençóis e seus hábitos, sua cara no espelho. A boca seca, o gosto de cigarro, jornal, sei lá o que eu comi antes de dormir! O que está me fazendo tão mal. E você não lembra. E já faz tanto tempo. Aquele beijo intenso. A ligação no outro dia, o frio na barriga, o casamento. Flashes. Memória suja e fragmentada de uma pessoa que eu não reconheço. Será que eu estive bêbado esse tempo todo? O sol leva menos de 20 minutos para secar o sereno da grama, a manta já caiu do ombro. Um café iria bem. Melhor levantar e fazer um, antes que o dia fique quente, antes que eu perca esse momento. Antes que ele se torne só mais uma memória difusa de alguém que não sou mais eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-3340163321351202455?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/3340163321351202455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=3340163321351202455&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3340163321351202455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3340163321351202455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2011/08/amnesia-alcolica.html' title='Amnésia Alcólica'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vj-3ALgERvw/TlkcC0lsA7I/AAAAAAAAAXw/xKbnOt7S5Bk/s72-c/cafe_sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-6614048557102348040</id><published>2010-11-30T21:08:00.004-03:00</published><updated>2011-08-28T22:32:59.212-03:00</updated><title type='text'>O Mapa de Memórias</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/TPWSEpt_w6I/AAAAAAAAAV0/vwTcgr8TDRc/s1600/fantasma.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 296px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/TPWSEpt_w6I/AAAAAAAAAV0/vwTcgr8TDRc/s320/fantasma.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545499124792542114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;Duas partículas dançavam em volta de si mesmas. A leveza de seus movimentos e o brilho pálido na escuridão nos levariam a inferir que fossem partículas da alma. Como sabemos, a alma é formada de partículas espalhadas pelo corpo humano. Elas se movem livremente em meio às outras, mas, ao contrário destas, não se unem para formar células, tecidos ou órgãos. Elas vão e vêm, em movimentos suaves, percorrendo o corpo e coletando informações que são gravadas em sua estrutura, como deformações em seus tamanhos e pesos. Um homem adulto pode chegar a ter 5 bilhões de partículas em sua alma: um número insignificante se comparado com qualquer outro elemento encontrado no corpo humano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De qualquer maneira, essas duas partículas estavam dançando em volta de si mesmas. A sutileza de seus movimentos e o brilho escasso, em meio à escuridão, nos levariam a crer que eram partículas da alma. Mas não eram. Quando o corpo morre, a alma se dispersa quase imediatamente. Mas, por um momento que leva não mais que uma fração de segundos, todas as partículas da alma - repentinamente livres de sua função e, de algum modo, cientes de terem desempenhado um papel inútil ao longo de toda uma vida -, se juntam para formar um mapa de lembranças. O corpo moribundo as recebe como uma memória condensada e completa de toda a sua existência terrena, um relato que engloba tanto o que os sentidos perceberam, quanto o que o coração e outros órgãos mais sutis sentiram em cada momento vivido. Os poucos que viveram para contar a experiência da morte - ou quase morte, nesses casos - descrevem essa memória condensada como um filme, embora a riqueza de detalhes e de sensações seja irreproduzível, dadas as limitações tecnológicas do audiovisual contemporâneo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas, voltando ao nosso relato, havia duas partículas dançando no escuro. Seus movimentos suaves e seu brilho lúgubre poderia nos levar a acreditar que fossem partículas pertencentes a uma alma humana. E eram, de certa forma. Mas não exatamente. Após se reunirem uma última vez como partes da alma, atraídas pelo derradeiro suspiro de vida que abandona o corpo, e após formarem o conglomerado de memórias organizadas em seqüência impecavelmente lógica que presenteia o corpo moribundo com o “filme da sua vida”, pode acontecer algo raro. Em pouquíssimos casos - não há registros confiáveis de que o ocorrido ocorra mais de uma vez por década -, pode haver uma mutação nas partículas da alma. No momento em que, pela primeira e única vez, trabalham em conjunto, e não separadamente, as partículas, ao invés de se dispersarem, ficam presas umas às outras e passam a agir como um único corpo etéreo. O corpo morre, a alma não se esvai, como seria natural, e algo, que não seria correto chamar de alma, é deixado "vivo". Um espectro de partículas difusas cheio de memórias, anseios e propósitos de uma vida que não existe mais: a esse curioso fenômeno costuma-se chamar de fantasma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enfim, as duas partículas dançavam uma junto à outra. Seus movimentos pálidos e seu brilho tímido poderiam ter nos levado à inferência de que se tratasse de partículas da alma. Mas não. Elas se moviam demasiado próximas uma da outra e seu comportamento sincrônico e programado não era o de partículas da alma. Os outros bilhões de partículas que se moviam com a mesma cadência, com o mesmo propósito, condensadas num corpo rarefeito, brilhavam o brilho pálido que dava ao todo uma aparência que, por falta de adjetivos, chamarei de fantasmagórica. Todas juntas, se moviam obstinadamente enquanto o fantasma caminhava sobre a terra, atravessava portas e edifícios, assustando crianças enquanto seguia em frente sem propósito claro, revelando ao mundo, junto com as memórias de uma vida comum, muitos dos segredos da insólita biologia transcendental.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-6614048557102348040?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/6614048557102348040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=6614048557102348040&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6614048557102348040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6614048557102348040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2010/11/o-mapa-de-memorias.html' title='O Mapa de Memórias'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/TPWSEpt_w6I/AAAAAAAAAV0/vwTcgr8TDRc/s72-c/fantasma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8828517721797723327</id><published>2010-05-20T20:20:00.001-03:00</published><updated>2010-05-20T20:22:44.572-03:00</updated><title type='text'>O tamanho das coisas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/S_XD0pysayI/AAAAAAAAAVk/-oePVVv6Gvs/s1600/7427625.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 229px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/S_XD0pysayI/AAAAAAAAAVk/-oePVVv6Gvs/s320/7427625.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473496231477799714" /&gt;&lt;/a&gt;Diante de tamanha tempestade, muitos se acovardaram. Escondidos embaixo de suas capas de chuva, de seus carros com ar condicionado, de toldos cuja cor desbotava pela ação do sol e da fumaça, rezavam para que passasse logo. Tão logo as ondas se revoltaram e invadiram o continente aterrado, alguns, num claro acesso de egocentrismo, gritaram tratar-se do fim do mundo. Outros, os mais práticos, se limitaram a correr dalí. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha sido só uma tempestade. E no dia seguinte o estrago foi limpado por garis sorridentes e comerciantes enfadonhos. Cada um cuidando o seu proprio umbigo; todos iluminados por um filete do sol mais bonito: aquele que ilumina o dia molhado depois da tempestade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8828517721797723327?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8828517721797723327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8828517721797723327&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8828517721797723327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8828517721797723327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2010/05/o-tamanho-das-coisas.html' title='O tamanho das coisas'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/S_XD0pysayI/AAAAAAAAAVk/-oePVVv6Gvs/s72-c/7427625.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-7060011978125521796</id><published>2009-01-13T01:09:00.003-03:00</published><updated>2009-01-13T01:16:33.354-03:00</updated><title type='text'>Fragmento</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/SWwUoYekXOI/AAAAAAAAAUo/Bojaao8iOPs/s1600-h/Lua_Telecl2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 172px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/SWwUoYekXOI/AAAAAAAAAUo/Bojaao8iOPs/s320/Lua_Telecl2.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290626346251476194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Déficit de instabilidade é o diagnóstico daquele que passa parte considerável da vida sem olhar para a lua, ou mesmo experienciar a noite. O contacto excessivo com o período diúrno força grave definição de coisas, pois o sol tudo delineia, tudo forma de maneira absoluta, apagando os dissensos e as ambigüidades naturais e necessárias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caminhar à luz da lua, ao menos duas vezes por ano, força no homem a percepção da sombra que se forma na ausência das cores, a inferência da forma não vista, constituindo forte exercício para a mente, que deve trabalhar a dimensão instável das coisas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A estabilidade aparente dos objetos à luz do dia atrofia, no homem, a partir de parte do bulbo cerebral, os orgãos sutis, como a alma, ao passo que endurece os ossos e as juntas. Passa o indivíduo a constituir criatura sólida, destutuida de sombras, imperfeições cutâneas e profundidade de intelecto. Um todo de cores absolutas, perfeitamente definido e sem nuances, completamente desinteresante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para previnir o défict de instabilidade, faz-se necessária a manutenção do hábito da penúmbra, o rigor na observação do objeto invisível, mas existente - ou o contrário. O efeito da observação obscura prolongada é capaz de relativizar mesmo o mais claro sol de domingo, e previnir qualquer possibilidade de tarde banal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-7060011978125521796?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/7060011978125521796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=7060011978125521796&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7060011978125521796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7060011978125521796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2009/01/fragmento.html' title='Fragmento'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/SWwUoYekXOI/AAAAAAAAAUo/Bojaao8iOPs/s72-c/Lua_Telecl2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-5467724529389527716</id><published>2008-11-29T19:51:00.004-03:00</published><updated>2008-11-29T19:58:27.266-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXXII - Samsara</title><content type='html'>O velho sabio chinês foi encontrado, depois de muitos anos, a vender incenso paraguaio, numa rua obscura do centro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-5467724529389527716?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/5467724529389527716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=5467724529389527716&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/5467724529389527716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/5467724529389527716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2008/11/samsara.html' title='Microconto XXXII - Samsara'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1435239568024021336</id><published>2008-07-13T18:02:00.002-03:00</published><updated>2008-07-13T18:52:03.205-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXXI - Sem Saída</title><content type='html'>O arquitecto de labirintos ficou preso, num só projecto, por anos a fio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1435239568024021336?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1435239568024021336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1435239568024021336&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1435239568024021336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1435239568024021336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2008/07/microconto-xxxi-sem-sada.html' title='Microconto XXXI - Sem Saída'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-9052514820605864497</id><published>2008-06-14T20:49:00.004-03:00</published><updated>2008-07-01T22:37:44.550-03:00</updated><title type='text'>Fotoconto VI - Água e espuma</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/SFRaKHD3NtI/AAAAAAAAAPg/GVovC2x5AKA/s1600-h/2531072569_e47015fab8.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/SFRaKHD3NtI/AAAAAAAAAPg/GVovC2x5AKA/s400/2531072569_e47015fab8.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211889798514947794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Arrebentou aos seus pés, uma onda. Se desfazia em espuma como tudo o que viera antes, e um dia voltaria a ser, simplesmente, água a se desfazer em espuma outra vez. Uma visão muito clara lhe impeliu à ruptura. Estava distante da imagem confusa que de si fizera, e que dela fizeram todos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partia por que era água, e um dia seria novamente. Mas agora era a hora de se fazer espuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto:&lt;a href="http://www.tiagolima.com"&gt; Tiago Lima&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-9052514820605864497?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/9052514820605864497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=9052514820605864497&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/9052514820605864497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/9052514820605864497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2008/06/fotoconto-vi-gua-e-espuma.html' title='Fotoconto VI - Água e espuma'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/SFRaKHD3NtI/AAAAAAAAAPg/GVovC2x5AKA/s72-c/2531072569_e47015fab8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1926347230409774293</id><published>2008-06-11T23:29:00.001-03:00</published><updated>2008-06-11T23:31:48.515-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXX - No momento</title><content type='html'>Não importava, no momento, quanto tempo tinha demorado: O passado já era ilusão, e o futuro, inevitável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1926347230409774293?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1926347230409774293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1926347230409774293&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1926347230409774293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1926347230409774293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2008/06/microconto-xxx-dos-fatalismos.html' title='Microconto XXX - No momento'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2342006863975258423</id><published>2008-02-10T11:18:00.000-03:00</published><updated>2008-02-10T11:26:11.781-03:00</updated><title type='text'>Fotoconto V - A Viagem Mágica e Misteriosa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R68JYNO7QWI/AAAAAAAAAPI/Gt4fNsHgPng/s1600-h/jorginho+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R68JYNO7QWI/AAAAAAAAAPI/Gt4fNsHgPng/s320/jorginho+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165357609091023202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Havia de levá-lo para longe dalí, ou para perto. E ainda que voltasse para o mesmo lugar, regras maiores que ele diziam: nada poderia ser igual depois de uma viagem de trem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2342006863975258423?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2342006863975258423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2342006863975258423&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2342006863975258423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2342006863975258423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2008/02/fotoconto-v-viagem-mgica-e-misteriosa.html' title='Fotoconto V - A Viagem Mágica e Misteriosa'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R68JYNO7QWI/AAAAAAAAAPI/Gt4fNsHgPng/s72-c/jorginho+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8714128724394892916</id><published>2008-02-08T21:37:00.000-03:00</published><updated>2008-02-08T21:44:17.053-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXIX - O Homem em Lata</title><content type='html'>Espremida por entre aviões enormes e fábricas fantásticas, foi saindo uma salsicha de gente, enlatada e cheia de conservantes, que poderia um dia explodir e fazer a revolução; mas que certamente não o faria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8714128724394892916?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8714128724394892916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8714128724394892916&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8714128724394892916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8714128724394892916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2008/02/microconto-xxix-o-homem-em-lata.html' title='Microconto XXIX - O Homem em Lata'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-6455716862947601675</id><published>2008-01-17T09:40:00.000-03:00</published><updated>2008-01-17T09:44:33.829-03:00</updated><title type='text'>Fotoconto IV - A Grande Solução</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R49NQDVhVII/AAAAAAAAAPA/S7wP4MqwTfI/s1600-h/Passaro+folha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R49NQDVhVII/AAAAAAAAAPA/S7wP4MqwTfI/s320/Passaro+folha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156425036531324034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A grande solução veio em doses homeopáticas. Disfarçada de criação de galinhas, de tragédia, de empresa, de sonegação, de dirigível. Mas nada solucionou o grande problema, que era a tal grande solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fotografia &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ricardoborges2"&gt;Ricardo Borges&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-6455716862947601675?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/6455716862947601675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=6455716862947601675&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6455716862947601675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6455716862947601675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2008/01/fotoconto-iv-grande-soluo.html' title='Fotoconto IV - A Grande Solução'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R49NQDVhVII/AAAAAAAAAPA/S7wP4MqwTfI/s72-c/Passaro+folha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-3464954234832319507</id><published>2007-12-22T12:57:00.000-03:00</published><updated>2007-12-22T13:02:19.140-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXVIII - O Microconto do Fim de Ano nos Novos Tempos</title><content type='html'>Contou um, dois Natais. No terceiro já era Ano Novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-3464954234832319507?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/3464954234832319507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=3464954234832319507&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3464954234832319507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3464954234832319507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/12/microconto-xxviii-o-microconto-do-fim.html' title='Microconto XXVIII - O Microconto do Fim de Ano nos Novos Tempos'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-548699316297221142</id><published>2007-12-06T12:16:00.000-03:00</published><updated>2007-12-06T12:21:57.943-03:00</updated><title type='text'>Fotoconto IV - Da consciência.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R1gS84XDiII/AAAAAAAAAO4/ZBKmrBHVuXM/s1600-h/nois+na+lua.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R1gS84XDiII/AAAAAAAAAO4/ZBKmrBHVuXM/s320/nois+na+lua.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140879811773958274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De repente não havia carros, e quando o som das buzinas e descargas cessou, foi como se uma sirene altíssima invadisse os ouvidos das pessoas. Logo não havia mais fumaça e o pulmão respirou aliviado. Os prédios, as ruas, o posto policial, a carteira de dinheiro, tudo desapareceu em instantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve os que se desesperassem, os que corressem nus, gritando, antes de sumirem também. Pois todos sumiram também, e a cidade foi se acabando até que eles dois se encontraram sozinhos naquela imensidão de quietude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nenhum momento haviam aparentado incômodo, em nenhum momento alteraram o passo ou se quer mudaram de direção. Não havia surpresa pois estavam, de fato, sozinhos o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fotografia: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ricardoborges2"&gt;Ricardo Borges&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-548699316297221142?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/548699316297221142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=548699316297221142&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/548699316297221142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/548699316297221142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/12/fotoconto-iv-da-conscincia.html' title='Fotoconto IV - Da consciência.'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R1gS84XDiII/AAAAAAAAAO4/ZBKmrBHVuXM/s72-c/nois+na+lua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-7481954623335503177</id><published>2007-11-30T15:51:00.004-03:00</published><updated>2008-07-13T18:49:05.290-03:00</updated><title type='text'>Gilberto e sua morte anunciada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R1BcE8tqZ2I/AAAAAAAAAOw/FZGRstVUH9s/s1600-R/envelope02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138708414916618082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R1BcE8tqZ2I/AAAAAAAAAOw/OH3fMbrmZVM/s320/envelope02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Horas antes de morrer, Gilberto recebeu uma carta. Estava escrita do seu próprio punho, assinada por ele mesmo e postada numa agencia de Alexandria, cidade na qual ele havia passado a infância. Na carta estavam descritos os acontecimentos desta tarde que desencadeariam inevitavelmente a sua morte. Sem muita surpresa, o funcionário público aposentado tirou seus óculos de leitura e com um suspiro dobrou o envelope e guardou-o no bolso da camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com passos resolutos, foi se dirigindo à porta, mas deteve-se por um instante ao ver sua esposa sentada em frente à televisão. Ela assistia um daqueles aborrecidos programas matinais enquanto tricotava uma meia de lã. Gilberto não quis perturbá-la, mas neste momento um nó em seu peito obrigou-o a um gesto demasiado afetuoso, que poderia ter denunciado toda a situação que ele se empenhava em esconder. Precipitou-se sobre sua esposa e lhe deu um carinhoso beijo na testa. Ela lhe pôs as mãos sobre as suas e soltou um leve suspiro, mas não disse uma palavra. Ele seguiu para a porta e saiu. Pretendia enfrentar sozinho a passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parque estava cheio. O domingo se anunciava como num desses filmes românticos do cinema americano. Famílias, crianças, cachorros, todos brincando alegremente, correndo de um lado para o outro, vivendo suas vidas de domingo. Gilberto tratou de escolher um local mais afastado, um banco em frente ao lago, de onde pudesse ficar olhando os pedalinhos, e lá se deixou ficar, esperando que os acontecimentos... enfim. Esperando que os acontecimentos acontecessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã, porém, foi passando sem que se passasse nada de anormal e, após uma hora de espera, Gilberto começou a desconfiar de tudo. Estranhou, primeiro, a sua própria calma em tal momento, desconfiou em seguida do conteúdo da carta que examinou longamente em busca de um escorregão de caligrafia. Duvidou daquela manhã idílica e chegou à derradeira conclusão de que este parque nem sequer estava na mesma cidade que ele, já que morava em Montevidéu e este era o parque onde brincava quando criança, no Egito. Uma ponta de pavor passou por seu rosto, como numa tentativa de retomar o controle da situação, mas logo foi embora. Os pensamentos se confundiam e sua consciência turva ia e vinha como quem nada em gelatina. Uma criança veio correndo ao seu encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto já estava quase adormecido, metido em uma realidade embaçada por sentidos que iam sumindo junto com a consciência. Ele, porém, reconheceu-se calmamente neste espelho do tempo. Tinha apenas 7 anos, abriu os bolsos do ancião desconhecido e tirou-lhe a carta que ali se encontrava e saiu correndo de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiram-se momentos confusos onde Gilberto, que se lembrava bem daquela tarde reviveu-a de perspectivas diferentes, como se sua alma estivesse a se multiplicar. Seria este o segredo da morte? A fusão do tempo, que passa a ser percebido em toda a sua plenitude de dimensão comum, com todos os momentos da vida? Passados e futuros podem ser vividos caso se logre alcançá-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhou a si mesmo menino, encaminhando-se ao correio, postando uma carta desconhecida num envelope desconhecido. De onde vinha a consciência? De onde vinham os atos? O sono, a tarde idílica, o sol e o quarto que deixara após ler a carta, onde também se encontrava, deitado na cama, solitário, tendo convulsões: tudo veio à tona uma última vez, junto com as lembranças de sua esposa morta há mais de 20 anos e uma súbita esperança do reencontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eram tantos reencontros...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-7481954623335503177?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/7481954623335503177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=7481954623335503177&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7481954623335503177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7481954623335503177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/11/gilberto-e-sua-morte-anunciada.html' title='Gilberto e sua morte anunciada'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/R1BcE8tqZ2I/AAAAAAAAAOw/OH3fMbrmZVM/s72-c/envelope02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8361096311228274599</id><published>2007-11-06T17:43:00.001-03:00</published><updated>2008-07-13T18:57:03.274-03:00</updated><title type='text'>Fotoconto III - De onde veio a fé</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RzDSbr6jZxI/AAAAAAAAAOo/-2CBySvgnWE/s1600-h/f%C3%A9+de+mul%C3%A9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129831348661610258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RzDSbr6jZxI/AAAAAAAAAOo/-2CBySvgnWE/s320/f%C3%A9+de+mul%C3%A9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A fé veio de uma concha no fundo do mar. Surgiu uma molécula, depois juntou com outra, e depois outra e outra, até que formou uma bolhinha que a concha soltou ao respirar. Essa bolha foi subindo e subindo até que saiu d’água. Mas ela não se misturou com o ar, ao invés disso, se fez de espuma e pegou carona na crista de uma onda que vagava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fé não sabia bem quem ia acertar, mas logo que rebentou contra os recifes, perto da praia, viu que ia ser fácil. Ela foi direto no coração da menina, e fez dela sua conchinha, juntando uma molécula de cada vez, crescendo a cada dia. A menina nem sentiu, mas, quando pensou que não, já estava ali, na porta da igreja, rezando junto com tantas outras meninas crescidas com aquela fé que não sabiam de onde vinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fotografia: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ricardoborges2"&gt;Ricardo Borges&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8361096311228274599?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8361096311228274599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8361096311228274599&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8361096311228274599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8361096311228274599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/11/fotoconto-iii-de-onde-veio-f.html' title='Fotoconto III - De onde veio a fé'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RzDSbr6jZxI/AAAAAAAAAOo/-2CBySvgnWE/s72-c/f%C3%A9+de+mul%C3%A9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-525290454072652391</id><published>2007-11-01T09:26:00.000-03:00</published><updated>2007-11-01T09:28:57.783-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXVII - Aprendendo a lidar com frações</title><content type='html'>Da alma que partiu, só voltou a metade. Mas esta veio com mulher e filhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-525290454072652391?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/525290454072652391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=525290454072652391&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/525290454072652391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/525290454072652391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/11/microconto-xxvii-aprendendo-lidar-com.html' title='Microconto XXVII - Aprendendo a lidar com frações'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-132245989555134203</id><published>2007-10-11T17:33:00.000-03:00</published><updated>2007-10-11T17:34:12.067-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXVI - Acabou</title><content type='html'>O vento que soprou do leste não lhe trouxe mais notícias de casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-132245989555134203?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/132245989555134203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=132245989555134203&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/132245989555134203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/132245989555134203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/10/microconto-xxvi-acabou.html' title='Microconto XXVI - Acabou'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1386088148159372259</id><published>2007-10-09T18:11:00.000-03:00</published><updated>2007-10-09T18:16:47.123-03:00</updated><title type='text'>Fotoconto II - O que diz o silêncio?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RwvvPTlLLuI/AAAAAAAAAOI/hN5LXxjHKUA/s1600-h/Tontonho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RwvvPTlLLuI/AAAAAAAAAOI/hN5LXxjHKUA/s320/Tontonho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119448447669972706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando Antônio sumiu depois da terceira rua, todos os presentes correram para ver o cartaz que ele havia afixado na porta do bar. Trazia uma foto sua, muito mais jovem, e um texto de pouca compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiram-se, então, alguns minutos de um silêncio atônito e incômodo. Os presentes, sem se olharem nos olhos, foram voltando às suas mesas. O clima pareceu insuportável até o momento em que uma voz rouca cruzou o salão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desce mais uma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todos voltaram a falar de mulher e futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fotografia: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ricardoborges2"&gt;Ricardo Borges&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1386088148159372259?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1386088148159372259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1386088148159372259&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1386088148159372259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1386088148159372259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/10/fotoconto-ii-o-que-diz-o-silncio.html' title='Fotoconto II - O que diz o silêncio?'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RwvvPTlLLuI/AAAAAAAAAOI/hN5LXxjHKUA/s72-c/Tontonho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2153314291204464112</id><published>2007-10-04T17:28:00.000-03:00</published><updated>2007-10-04T17:30:52.076-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXV - Previsão</title><content type='html'>Na época, ninguém poderia imaginar que aquele monstrinho cresceria de um dia para o outro, sem que ninguém percebesse. Muito menos que ele poderia fugir e comer o prefeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2153314291204464112?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2153314291204464112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2153314291204464112&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2153314291204464112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2153314291204464112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/10/microconto-xxv-previso.html' title='Microconto XXV - Previsão'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2628654459517735069</id><published>2007-10-02T11:17:00.001-03:00</published><updated>2007-10-02T11:26:31.975-03:00</updated><title type='text'>Fotoconto I - Se Narciso tivesse nascido inseto...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RwJULzlLLtI/AAAAAAAAAOA/KCQTrdSstB8/s1600-h/Borboletas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RwJULzlLLtI/AAAAAAAAAOA/KCQTrdSstB8/s320/Borboletas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5116744688447729362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Através do espelho via refletida, a metade que lhe faltava. Só não via que não havia espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fotografia: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ricardoborges2"&gt;Ricardo Borges&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2628654459517735069?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2628654459517735069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2628654459517735069&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2628654459517735069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2628654459517735069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/10/fotoconto-i-se-narciso-tivesse-nascido.html' title='Fotoconto I - Se Narciso tivesse nascido inseto...'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RwJULzlLLtI/AAAAAAAAAOA/KCQTrdSstB8/s72-c/Borboletas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-7948980369694469956</id><published>2007-09-27T10:55:00.000-03:00</published><updated>2007-09-27T10:57:36.550-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXIV - Estímulo</title><content type='html'>Sua cor preferida era o violeta. Embora fosse cego, esta lhe soava melhor aos ouvidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-7948980369694469956?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/7948980369694469956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=7948980369694469956&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7948980369694469956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7948980369694469956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/09/microconto-xxiv-estmulo.html' title='Microconto XXIV - Estímulo'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-7022416725408531236</id><published>2007-09-16T17:04:00.000-03:00</published><updated>2007-09-19T17:16:22.587-03:00</updated><title type='text'>Um Desejo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Ru2PaZJqO0I/AAAAAAAAANo/wLuz0_8Ga_M/s1600-h/836121_80552935.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Ru2PaZJqO0I/AAAAAAAAANo/wLuz0_8Ga_M/s320/836121_80552935.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110898835726154562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No meio do bosque havia uma grande pedra, toda coberta de musgo. Em volta dela, árvores altíssimas das quais pendiam cipós e raízes que alcançavam o chão. O sol penetrava com  certa diculdade, ainda que fosse meio dia; a penumbra multiplicava sombras e realidades. Ao largo, um homem se aproximava devagar, abrindo espaço por entre arbustos menores, cipós e troncos seculares. Estava exausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a pedra havia um prato de comida cuidadosamente preparada e arrumada, cujo cheiro se espalhava e preenchia todo o bosque. Mas a aproximação se tornava mais difícil a cada passo. Era como se os espinhos se multiplicassem, arranhando suas pernas, como se o mato crescesse ao redor dos seus pés e o terreno fosse se tornando mais movediço. Mas ele continuava firme. Seguia movido por aquele resto de força que geralmente nem sabemos ter, mas que vêm à tona no momento em que a esperança reaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cansativa jornada provavelmente não passou dos 200 metros, mas pareceu-lhe ter durado um dia inteiro. Quando finalmente alcançou a pedra, levou a comida à boca com ansiedade. Ignorando a presença dos talheres, dos guardanapos de seda, do prato de porcelana chinesa, pegou o bife com a mão e o levou à boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu o sangue lhe reaver as forças e pouco a pouco foi recuperando os sentidos. Tanto que quando estendeu a mão para pegar o resto da comida, não havia mais prato, nem talheres e nem bife, mas os pedaços de um coelho que ele havia de ter estraçalhado segundos antes. Não se deteve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-7022416725408531236?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/7022416725408531236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=7022416725408531236&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7022416725408531236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7022416725408531236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/09/um-desejo.html' title='Um Desejo'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Ru2PaZJqO0I/AAAAAAAAANo/wLuz0_8Ga_M/s72-c/836121_80552935.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-746240852518894149</id><published>2007-09-14T14:39:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T14:41:31.307-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXIII - O Ponto Cego</title><content type='html'>A dúvida não era que caminho escolher, mas se queria seguir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-746240852518894149?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/746240852518894149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=746240852518894149&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/746240852518894149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/746240852518894149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/09/microconto-xxiii-o-ponto-cego.html' title='Microconto XXIII - O Ponto Cego'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-6502237105732559759</id><published>2007-09-10T15:24:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T14:41:53.281-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXII - O sono dos justos</title><content type='html'>Entre tiros e explosões, um cachorro surdo dormia sossegado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-6502237105732559759?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/6502237105732559759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=6502237105732559759&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6502237105732559759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6502237105732559759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/09/microconto-xx-o-sono-dos-justos.html' title='Microconto XXII - O sono dos justos'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-7696222185288370556</id><published>2007-09-04T16:25:00.000-03:00</published><updated>2007-09-04T16:53:00.128-03:00</updated><title type='text'>PARE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rt2zZxzNIxI/AAAAAAAAANY/RgXdvEe5_J0/s1600-h/sinal.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rt2zZxzNIxI/AAAAAAAAANY/RgXdvEe5_J0/s320/sinal.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106434807954219794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um carro desgovernado atravessou a rua. O sinal estava vermelho. Freios. Buzinas. Pessoas se jogam no chão. Não deu para ver o condutor através do vidro esfumeado, tudo aconteceu muito rápido. O carro sumiu depois da curva. As pessoas foram se levantando, alguns gritando que isto era um absurdo, outras rindo de susto. Os carros parados se puseram outra vez em movimento, os motoristas olhavam estupefatos e recomeçavam devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe se ouviram as buzinas, os gritos dos outros. Aqui se perguntava se alguém havia anotado a placa. Não. Em poucos segundos, a vida fluia novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam todos com muita pressa para se indignar, e ninguém havia morrido. O carro desgovernado não passou de um incidente num dia comum. Uma pequena quebra na rotina para que os velhos casais tivessem algo que comentar na hora da janta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-7696222185288370556?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/7696222185288370556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=7696222185288370556&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7696222185288370556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7696222185288370556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/09/pare.html' title='PARE'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rt2zZxzNIxI/AAAAAAAAANY/RgXdvEe5_J0/s72-c/sinal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1012657717330599619</id><published>2007-08-31T15:54:00.001-03:00</published><updated>2007-08-31T16:11:28.409-03:00</updated><title type='text'>Microconto XXI - Perda</title><content type='html'>As malas prontas junto à porta mostravam que ela teria partido de qualquer forma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1012657717330599619?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1012657717330599619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1012657717330599619&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1012657717330599619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1012657717330599619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/08/microconto-xxi-perda.html' title='Microconto XXI - Perda'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2519877813208161021</id><published>2007-08-26T20:15:00.000-03:00</published><updated>2007-08-26T20:27:15.985-03:00</updated><title type='text'>A metafísica do chocolate</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RtIMMhzNIwI/AAAAAAAAANQ/RzJ7fCjLDCc/s1600-h/30.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103154737135297282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RtIMMhzNIwI/AAAAAAAAANQ/RzJ7fCjLDCc/s320/30.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Contam os antigos que entre o céu e a terra, em sete pontos extremos, existiram barras de chocolate em estado bruto. Elas teriam o tamanho de três varões e o sabor de 900 frutas e 300 cereais em flocos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o que se conta, monges de diversas civilizações com suas ordens foram os primeiros a encontrar estes controversos tesouros, frutos de um ponto em que o sabor intrínseco que permeia o universo se concentra de forma anormal, e, por se tratar de coisa tão metafísica, extremamente perigosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos monges nórdicos de Ole Alkbar restaram escritos falando das preparações rituais pelas quais passavam os iniciados antes de provarem da barra. E dos monges de Ugon Gambom no Indostão ficaram relatos sobre a loucura que se abateu sobre aqueles que provaram da iguaria sem o devido cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes teriam sucumbido a diversos males, desde espasmos e convulsões a catatonia e loucura irreversível. Em todos os escritos, os monges, separados pelos séculos e pelos continentes, afirmam a mesma coisa: o corpo humano nasce com baixa tolerância à experimentação sensorial múltipla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preparação serve justamente para ensinar o corpo a separar os sabores e trazê-los à consciência, um de cada vez. Os iniciados levavam cerca de 20 horas em transe, degustando cada um dos 1200 sabores. Já os mestres chegavam a poder misturar de acordo com a sua vontade: banana com aveia, Manga com abacaxi, damasco com morango, flocos de milho e arroz, e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monastério de Ilan turgik no médio oriente, foi destruído por mercenários que destruíram sua grande barra e venderam-na em pó, levando à loucura dinastias inteiras da Europa e da Ásia, que pagavam fortunas para misturar um pouco desse pó no leite, e acabavam loucos, alucinados ou mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes três registros são os únicos de que se tem notícia. Porém em todos eles são citadas as Sete Barras. Não se sabe se as outras seguem guardadas em pontos chave do nosso mundo ou se a cobiça, a religião e as intempéries da terra já as teriam levado embora. Certo é somente que o chocolate vai continuar levando à loucura todos aqueles que não souberem fazer dele o uso correto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2519877813208161021?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2519877813208161021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2519877813208161021&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2519877813208161021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2519877813208161021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/08/metafsica-do-chocolate.html' title='A metafísica do chocolate'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RtIMMhzNIwI/AAAAAAAAANQ/RzJ7fCjLDCc/s72-c/30.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-6861468451713725000</id><published>2007-08-24T14:36:00.000-03:00</published><updated>2007-08-24T14:37:36.049-03:00</updated><title type='text'>Microconto XX - Inocente</title><content type='html'>Com as mãos ainda sujas de sangue, repetiu para si mesmo: Não fui eu!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-6861468451713725000?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/6861468451713725000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=6861468451713725000&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6861468451713725000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6861468451713725000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/08/microconto-xx-inocente.html' title='Microconto XX - Inocente'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-6888629125118866245</id><published>2007-08-19T23:50:00.000-03:00</published><updated>2007-08-20T12:05:35.068-03:00</updated><title type='text'>Alberto, a Estrela e o Governador - Texto completo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RskWTRzNIvI/AAAAAAAAANI/MW4NU6c9I8M/s1600-h/98012_2515.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RskWTRzNIvI/AAAAAAAAANI/MW4NU6c9I8M/s320/98012_2515.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5100632573425296114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Alberto acordava todos os dias às 4:30 da manhã. Com o céu ainda escuro, fazia seu café, tomava um banho gelado e ia pra a fazenda. Saíam de casa ele e os irmãos, meio sonhando meio acordados, algumas vezes sem se dizer palavra. Punham-se a caminhar juntos até que encontrassem a estrada. Daí cada um tomava o seu rumo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Nesta manhã Alberto caminhava mais preocupado que de costume. É que ele havia feito as contas na noite anterior e os números que ele pouco entendia dançavam ainda em frente aos seus olhos. Ele erguia a cabeça pro céu e encontrava uma estrelinha que amava desde criança. Uma estrela que brilhava diferente, meio que piscando, como quem pisca um olho pra alguém e diz que está tudo certo. "Já já eu vou aí te pegar, não conte pra ninguém!" E piscava. Era assim que Alberto escutava,desde muito pequeno, a estrelinha falando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando foi crescendo, as brincadeiras e o faz-de-conta cederam naturalmente o espaço à vida real, mas essa crença infantil ficou. Talvez porque não houvesse nunca comentado com ninguém, talvez porque fosse necessário acreditar em alguma coisa pra continuar acordando àquele horário todo dia, talvez por que acreditasse mesmo nela. De qualquer forma, hoje Alberto olhou a estrela e disse consigo mesmo: "Se vier venha logo, que não sei se agüento até o fim do mês." Mas a verdade é que ele sempre agüentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No palácio do governador, só se falava na crise da gravata. Mas se falava bem baixinho porque o governador era homem firme e não suportava ouvir falar em crise, muito menos quando estava já todo enrolado. O que os assessores ainda não sabiam bem é que o governador detestava ainda mais os cochichos abafados pelos corredores. Era de dizer na cara o que pensava e já havia pago muito preço por isso. Muito preço que na verdade não era muito, pois se fosse não era ele o governador do estado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto andava com a cabeça tão cheia e pesada e tão mergulhado nos seus próprios problemas, que nem viu o céu ficando estranho aquele dia. Só foi perceber o clarão quando o dia amanheceu de repente, muito antes do tempo certo. Ele olhou pro céu outra vez e viu vindo de lá de cima a sua estrela piscante cada vez mais perto e cada vez mais clara. E teve de dar um pulo pra fora da estrada para que a estrela não lhe levasse dessa para a melhor, pois vinha direto para cima de sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma porrada só. Um estrondo que deve ter se ouvido lá na capital, mais alto que qualquer barulho jamais ouvido por aqueles lados. E tremeu a terra toda, e levantou uma nuvem de poeira e terra vermelha, e jogou Alberto lá longe no meio do mato. Ele não sabe nem quanto tempo depois foi se levantar, todo doído, como quem levou uma surra, e atordoado, sem conseguir saber direito o que foi que aconteceu. Arregalou os olhos e viu aquele tamanhão de pedra branca, retorcida feito ferro que queimou o céu todo antes de descer. Foi quando se deu conta de verdade do que tinha acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrela já não piscava mais como antes, mas era claro o porquê. É que o combinado já estava combinado há muito tempo, e piscar agora não tinha mais serventia alguma. Agora ela estava ali para cumprir o que piscou esse tempo todo. E agora Alberto não sabia se chorava ou se levantava para subir na pedra, se chamava os irmãos ou se ficava ali parado esperando que as pernas tomassem a decisão por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O governador, que já andava irritado com o palácio do governo, que andava num tal de cochicho pra todo lado, estava a ponto de explodir. Por que ficava todo mundo falando baixinho e toda vez que ele chegava perto todos ficavam quietos de novo? E ficavam olhando pra ele com cara de quem não tava fazendo nada, umas caras de puxa-saco de merda, cheios de sorriso amarelo de merda. Aí vem um sacana cheio de gravata cochichar no seu ouvido... FALA FEITO HOMEM, RAPAZ!!! Só um grito mesmo pra acordar esse povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a notícia que ele trazia era muito boa. Vinha falar de um meteorito que caiu no interior do estado e dizer que as forças armadas já se deslocavam para o local. Foram mandadas pelo ministro da guerra para inspecionar se era meteorito mesmo ou se era ataque comunista, se era radioativo, se era extraterrestre, se tava vivo, se era animal, vegetal ou mineral. Mas o que quer que seja, disse o governador, avise que é pra trazer aqui para a capital, que isso vai virar noticia e é já!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RrDrgm9-nJI/AAAAAAAAAMw/PpHlFYM9N3g/s1600-h/estrela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093830124004875410" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RrDrgm9-nJI/AAAAAAAAAMw/PpHlFYM9N3g/s320/estrela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando Alberto finalmente conseguiu se levantar, tomou um susto com o estrago que a estrela havia feito. Tinha um rastro imenso por onde ela veio que cavou o chão, sumiu com o mato e levantou um mundo de terra fofa pros lados. No final da confusão tava ela, toda grande e sem jeito de estar ali que não era o lugar dela, longe do céu e enterrada pela metade no chão. Alberto foi descendo com dificuldade pelo buraco. Maravilhado que estava com o acontecido, só pensava em ir-se embora e nem atentou pro batalhão do exercito que marchava atrás dele em direção à sua estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alto lá! Ouviu gritar o comandante do destacamento. Essa pedra pode ser perigosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto ainda tentou falar alguma coisa, mas ficou encabulado de chamar a estrela de estrela, além de que não sabia o que significava a palavra "evacuar", que eles repetiam o tempo todo. Só sabia que foi sendo empurrado para trás e para trás à medida que os homens de farda iam se aglomerando em volta da pedra, até que quase não podia mais vê-la, a não ser de longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou que nesse dia ele não foi nem trabalhar. Passou o tempo todo olhando a estrela que estava lá, caída, já sem piscar nem nada, com aquele monte de gente em volta, que cada vez chegava mais um. E aí vieram os doutores de jaleco, os estudantes de calça jeans, os assessores de gravata e por fim o guindaste que levou mais de uma hora arrumando um jeito de levantar a estrela do chão outra vez e saiu com ela para a capital. Ele mal podia acreditar. Mas pelo menos na capital dava para chegar sem ter de voar nem de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fora um jornal que ligou a queda do meteorito à queda do próprio governador, o efeito do acontecido sobre sua imagem foi em geral muito bom. O povo agora tinha a cabeça nas estrelas. Algumas pessoas, com medo de que o céu desabasse, cavavam buracos em seus jardins, outras faziam fila na porta do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial para saber que notícias o universo nos estava mandando. Havia os astrólogos, os astrônomos, os tarólogos, os ufólogos, e mais uma porção de gente sabida, disputando as colunas dos jornais e revistas. E havia também o povo que tinha deixado as gravatas do governador em paz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite Alberto não dormiu. Fez novamente as contas e chegou à conclusão de que o dinheiro que tinha não pagaria a passagem de ônibus para a capital. Não queria esperar o fim do mês para receber, pois temia que a estrela resolvesse ir embora sem ele, ainda mais com toda essa algazarra à sua volta. Estrelas estão acostumadas com o silêncio do céu e não deviam gostar desse tanto de holofote. Além do mais, ele teria de arrumar uma desculpa por ter faltado ao trabalho e ouvir um bocado do patrão se aparecesse no dia seguinte de volta à fazenda. Sua cabeça rodava de tanto pensamento, mas na hora em que pegou no sono, já foi sabendo que acordaria cedo para percorrer de bicicleta os 200 Km até a capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, enquanto se preparava para a partida, tomou seu café de todos os dias e deixou uma nota para os irmãos, avisando que não se preocupassem, que ele ia resolver a vida na capital. Saiu no escuro, como de costume, meio sonhando meio acordado; olhou para o céu e verificou, satisfeito, que a estrela piscante não estava mais lá. E agora quem tinha que ir atrás dela era ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou à capital do estado no outro dia e não teve a menor dificuldade em descobrir aonde tinha que ir. Era uma cidade pequena se comparada às outras capitais de estados e qualquer acontecimento era motivo de alvoroço. Ainda mais quando aquele povo sempre tão esquecido no mundo, de repente se sentia lembrado pelo espaço sideral. Em cada esquina, em cada boteco, em cada banca de revista, só se falava num assunto. E assim Alberto foi seguindo a trilha até a sua estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O governador andava agora sorrindo de contentamento. Usava uma gravata bege que era para não dar na vista e falava em coletiva de imprensa. Dizia que ia modernizar o setor de pesquisa espacial do estado, que agora entrava na rota interestelar. E anunciava parceria com o governo federal e anunciava investimento privado no setor, e planos de apoio aos pesquisadores e todo mundo era só aplauso. Precisava segurar a estrela na mídia só até que as investigações acabassem, mas já começava a pensar nela como plataforma até para uma reeleição.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RrYxZW9-nKI/AAAAAAAAAM4/BCO6Ar8VylM/s1600-h/226335_8029.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RrYxZW9-nKI/AAAAAAAAAM4/BCO6Ar8VylM/s320/226335_8029.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095314340148321442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Alberto tomou seu café preto numa padaria na esquina do instituto nacional de pesquisa espacial. Levou ainda um tempo no balcão, observando assustado a algazarra que o povo fazia, enquanto tomava coragem para entrar. Era uma fila enorme, piorada pela quantidade de vendedores ambulantes, fotógrafos, equipes de reportagem, gente entrando e saindo do prédio sem parar. O dono da padaria falou que o movimento triplicou, o que para ele era muito bom. "Se as estrelas começarem a cair eu vou é gostar, contanto que não seja na minha cabeça!" Alberto, porém, não estava muito para brincadeira, e tratou de se apressar antes que a fila crescesse ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confusão era tão grande que mal se sabia onde começava e onde terminava e a fila se confundia toda hora com o povo que ficava passando de um lado pra outro. Aí desarrumava tudo, e o povo brigava porque um tentava furar, outro guardava lugar pra um monte de gente, e a menina que desmaia, o idoso que exige prioridade, e cada vez que saía alguém do prédio, um corre corre de fotógrafo e repórter pra todo lado... um mangue! E para piorar tudo, a fila realmente não andava, e o povo reclamava, chamava de absurdo, planejava invadir. Até que Alberto se retou e foi ver lá na frente o que era que estava acontecendo. O problema era que os doutores ainda estavam terminando os testes com a pedra inteira que só seria liberada para visitação no finalzinho da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele esperou. Esperou quieto, tratando de não se meter em confusão e defendendo seu lugar. Esperou com aquela paciência obstinada de quem já esperou a vida toda e não é uma fila que vai lhe meter medo. E assim passou o dia, passou a tarde e chegou a noite. A fila tinha começado a andar pontualmente às seis horas da tarde, conforme anunciado, isso gerou um certo alivio, mas que não haveria de durar muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A policia tinha chegado ao local para impor alguma ordem naquela confusão, mas eram muito poucos, e não adiantou de nada. A situação ficou ainda pior quando apareceu uma manifestação cheia de faixas e carro de som e microfone, todo mundo gritando que fica! E que a estrela é nossa! E dando vivas ao estado que só assim tinha ido parar no jornal nacional. A policia chegava para trás e se limitava a observar impotente o desenrolar dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente chegou a vez de Alberto, os seguranças fecharam a porta e disseram que não entrava mais ninguém. Alberto quase não acredita no que estava ouvindo. O que me falta acontecer? O coração batia mais forte a cada posição que ele avançava naquela porcaria de fila, mas sempre tinha de ser alguma coisa, e sempre quando ele estava quase lá. Os seguranças explicaram a ele que eram nove e meia da noite e que o instituto já tinha ficado aberto além do expediente, mas agora ia ter de fechar. E a estrela quanto mais perto ia ficando, mas longe parecia que estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Concluídos os testes, o meteorito, que não era radioativo, nem era um ataque extra-terrestre, passou a ser reivindicado também pelo governo federal. O presidente da república e o ministro do patrimônio achavam por bem que a pedra deveria estar exposta no museu espacial, onde estavam todos os outros corpos celestes caídos em território nacional desde que se tem notícia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando começaram a distribuir senhas para o outro dia que a confusão maior se estabeleceu. O povo da fila começou a vaiar, e foi um empurra-empurra dos infernos, todo mundo queria chegar mais na frente pra pegar as senhas antes dos outros. Alberto que era o primeiro quase foi esmagado pela multidão. Os ânimos se exaltaram e a polícia que não conseguia se fazer respeitar começou a disparar tiros para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio dessa confusão, até os seguranças, que não estavam vendo nada saíram correndo com medo, sem saber quem é que estava atirando e nem em quem. Foi assim que Alberto escapuliu para dentro do prédio e fechou a porta. Deixava para trás uma multidão que se batia e se atropelava. Com gente sendo pisoteada, gente sendo presa, policial levando paulada, pedrada, e ninguém sabia mais quem é que estava do lado de quem, mas cada qual dava sua porrada em quem ia passando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto se sentiu como quem muda de mundo. Era como se já tivesse chegado no céu com sua estrela, tamanho era o silêncio do interior daquele prédio em contraste com um dia inteiro de barulho. E era tanta paz, que ele entrou num estado semelhante ao êxtase, sem ouvir o que se passava lá fora e seguindo pelos corredores circulares como quem está suspenso no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi flutuando pelos corredores até chegar a um vão enorme de várias portas. Olhou em volta e abriu a que trazia a inscrição "Meteorito" que era como os doutores chamavam a estrela. Nem se assustou com o alarme que disparou na hora acabando com o silêncio quase espacial que tomava conta do lugar. Alberto tinha todos os sentidos voltados exclusivamente para sua estrela que estava ali, sozinha no meio da sala, piscando para ele outra vez, como fazia desde que ele era criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;As especulações dos jornais de oposição eram agora se o governador conseguiria ou não, manter a estrela no chão até o final das investigações. E ele já andava uma arara com essa história. Enquanto a ida da estrela virava noticia, a população se revoltava com a possibilidade, e o governador antevia a lama que o episódio ia causar em sua imagem. Ainda mais depois de ter anunciado a inclusão do estado no mapa da navegação espacial. Começava a amaldiçoar aquela pedra. Tinha estado muito melhor na época das gravatas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rr-LZm9-nLI/AAAAAAAAANA/cGCAuSwAJ2Y/s1600-h/21339_2652.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rr-LZm9-nLI/AAAAAAAAANA/cGCAuSwAJ2Y/s320/21339_2652.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097946575280184498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O alarme que soava insistentemente sem incomodar Alberto, alertou a central de polícia. Estes passaram ordens aos homens que se encontravam no local de que checassem a situação enquanto o reforço não chegava. Neste momento, a manifestação da “estrela é nossa” já estava muito maior e a confusão, completamente instalada. Os policiais foram abrindo caminho a golpes de cassetete na tentativa de se aproximarem do prédio, e quando arrombaram a porta para entrar, parte da multidão foi junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala do meteorito, a estrela ia recuperando o seu brilho. À medida que Alberto se aproximava, ela ia piscando com mais e mais intensidade. Era uma luz tão branca e forte que ao invés de dar contorno às coisas, sumia com elas. E o mundo ficava parecendo um sonho vazio, uma escuridão ao contrário. Cego que estava, Alberto foi tateando a estrela, subindo com certa dificuldade, mas já tomado por aquela paz que precede a partida. Quando se acomodou estava em paz, flutuando num mar de luz onde havia desejado estar a vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No salão alguns policiais tentavam conter o avanço da multidão enquanto outros procuravam a sala onde estaria o meteorito. Saiam arrombando, uma por uma as portas do saguão, todos muito nervosos com o descontrole da situação, com a falta de reforços, e com aquele barulho infernal da sirene que fazia tudo parecer um grande pesadelo de onde o despertador era incapaz de lhes retirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de todo o caos, começou a sair por debaixo de uma das portas, uma luz intensa. Parecia coisa de filme de suspense, o contorno dela todo brilhava, e a luz passava até pelos poros da madeira, deixando-a como que incandescida. Os policiais se lançaram em sua direção e no que a porta caiu, ninguém mais viu coisa alguma, pois a claridade cegou a todos. A única coisa que se notou foi que o alarme cessou de tocar e no seu lugar ouviu-se um barulho seco que ninguém conhecia. Um barulho de mil trovões que seria capaz de partir o céu em dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num segundo, a estrela que subiu com Alberto já riscava o céu feito um cometa qualquer, mas nem os sobreviventes puderam ver essa cena, ofuscados que ficaram com sua luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No dia seguinte, a notícia do desabamento do prédio do Instituto nacional de pesquisa espacial, que matou cerca de 500 manifestantes e 35 policiais trazia a seguinte manchete: "Meteorito leva pro espaço a carreira do governador!”.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mal sabiam eles que o meteorito era uma estrela. E que sua passagem por aqui foi só para realizar um sonho de criança. Mas esse não foi o único erro deles, afinal tudo isso um dia seria esquecido ou recordado somente como lenda popular. Nada permanece na memória das pessoas, nem mesmo a mancha na carreira do governador, que apesar de tudo, se reelegeu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-6888629125118866245?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/6888629125118866245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=6888629125118866245&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6888629125118866245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6888629125118866245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/08/alberto-estrela-e-o-governador-parte-i.html' title='Alberto, a Estrela e o Governador - Texto completo'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RskWTRzNIvI/AAAAAAAAANI/MW4NU6c9I8M/s72-c/98012_2515.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2951006090620127237</id><published>2007-08-16T20:26:00.000-03:00</published><updated>2007-08-16T20:28:16.772-03:00</updated><title type='text'>Microconto XIX - Fatalidade anunciada</title><content type='html'>Ao perceber que o que escrevia era sua própria história, teve medo, tentou fazer alguns rodeios mas não soube parar sem pôr um ponto final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2951006090620127237?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2951006090620127237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2951006090620127237&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2951006090620127237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2951006090620127237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/08/microconto-xix-fatalidade-anunciada.html' title='Microconto XIX - Fatalidade anunciada'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-3037645156226499415</id><published>2007-08-09T11:44:00.000-03:00</published><updated>2007-08-09T11:45:45.945-03:00</updated><title type='text'>Microconto XVIII - Das Liberdades</title><content type='html'>Nos tempos difíceis era muito mais fácil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-3037645156226499415?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/3037645156226499415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=3037645156226499415&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3037645156226499415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3037645156226499415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/08/microconto-xviii-das-liberdades.html' title='Microconto XVIII - Das Liberdades'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1917672995156515033</id><published>2007-08-04T12:43:00.000-03:00</published><updated>2007-08-04T12:44:18.935-03:00</updated><title type='text'>Microconto XVII - No Supermercado</title><content type='html'>Entre as prateleiras abarrotadas, não esperava encontrar o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1917672995156515033?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1917672995156515033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1917672995156515033&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1917672995156515033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1917672995156515033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/08/microconto-xvii-no-supermercado.html' title='Microconto XVII - No Supermercado'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-4430712991916093054</id><published>2007-07-27T23:01:00.000-03:00</published><updated>2007-07-28T23:31:13.980-03:00</updated><title type='text'>Microconto XVI - Inconsistente</title><content type='html'>Amanheceu tão inconsistente que saiu por seus próprios poros, escorreu rua abaixo até a praia e acabou por se diluir na água do mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-4430712991916093054?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/4430712991916093054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=4430712991916093054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4430712991916093054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4430712991916093054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/07/microconto-xvi-inconsistente.html' title='Microconto XVI - Inconsistente'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8372015945919269752</id><published>2007-07-23T20:58:00.000-03:00</published><updated>2007-07-23T21:01:03.258-03:00</updated><title type='text'>Número de Peito</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RqVBDW9-nII/AAAAAAAAAMo/XiTGfu1hqP8/s1600-h/28.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RqVBDW9-nII/AAAAAAAAAMo/XiTGfu1hqP8/s320/28.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090546479773162626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quem foi que te entregou este panfleto? Você olha, olha e não entende nada. O que são estes números? Você estava simplesmente passando pela rua, na sua quando alguém lhe empurrou este papel nas mãos. Sem muita atenção, quase que automaticamente, você olha pra ver do que se trata antes de jogar fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo, porém, te chama a atenção. Não se trata de um panfleto comum, vendendo geladeiras, consultas médicas, odontológicas, tarológicas ou de macumba. São números. "Será que devo jogar na Megasena?" Você se pergunta. Será isso um sinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de repente você começa a reconhecer, em algum lugar da sua memória, este formato. Ele te Lembra dos números que os corredores trazem no peito quando estão correndo uma maratona ou algo assim. Você olha pra ele e o põe no peito. Prende com um clips de papel e verifica satisfeito que estava certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um número de peito de maratonista. Você então percebe que as pessoas envolta podem estar te olhando. Porra, você está no meio da rua fazendo papel de palhaço! Assim, você sai andando apressado, tentando se livrar desta multidão opressiva que te olha e julga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você anda rápido e quando pensa que não, está correndo. Não era necessário correr. Aliás, se era pra não chamar atenção, não era nem bom correr, mas você se sente bem. Por um minuto pensa que vai chegar suado ao trabalho mas logo em seguida manda tudo à merda. Chega de ficar se preocupando com o que os outros vão pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você corre cada vez mais rápido, pelo meio da rua, pelo meio das pessoas. Você já não está nem aí. A cabeça fica livre quando você corre, o corpo fica leve. Você se lembra então do número de peito que esqueceu de retirar. Agora você se dá conta de que está correndo pelo meio da rua com um número de maratonista no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem perceber, você se descobriu um maratonista. Que bons ventos terão trazido este panfleto até a sua mão? Ou melhor até o seu peito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8372015945919269752?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8372015945919269752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8372015945919269752&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8372015945919269752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8372015945919269752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/07/nmero-de-peito.html' title='Número de Peito'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RqVBDW9-nII/AAAAAAAAAMo/XiTGfu1hqP8/s72-c/28.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-5352431292065803335</id><published>2007-07-21T03:44:00.001-03:00</published><updated>2007-07-21T03:44:57.619-03:00</updated><title type='text'>Microconto XV - La Carencia</title><content type='html'>Sentia que era seguido. O coração palpitava de felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-5352431292065803335?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/5352431292065803335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=5352431292065803335&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/5352431292065803335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/5352431292065803335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/07/microconto-xv-la-carencia.html' title='Microconto XV - La Carencia'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-7108335946390748125</id><published>2007-07-16T01:06:00.000-03:00</published><updated>2007-07-16T01:13:32.547-03:00</updated><title type='text'>Uma Casa Cheia de Eletrodomésticos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RprwQmVfOaI/AAAAAAAAAMQ/M8qm4feW5wo/s1600-h/298057_59362.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RprwQmVfOaI/AAAAAAAAAMQ/M8qm4feW5wo/s320/298057_59362.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5087642897027643810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O primeiro erro de Estácio foi deixar a porta aberta. Não haveria mais nada quando voltasse pra casa. Se deu conta disso enquanto caminhava para o trabalho. Imaginou aqueles homens retirando um a um todos os seus eletrodomésticos, comprados com suor e sacrifício ao longo dos anos e um sentimento de perda invadiu sua alma. Ensaiou um retorno, mas achou que seria tarde demais. Não se podia brincar com essas coisas, era uma cidade perigosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não teria mais para onde voltar e há muito não havia ninguém à sua espera. Logo percebeu que não havia também para onde ir. Passou pela entrada da rua onde trabalhava e decidiu seguir adiante. Se fosse para ser roubado outra vez nem adiantava trabalhar. Não seguiria sustentando os marginais pelo resto da vida. Trabalhando, obedecendo, se humilhando, gastando o tempo que poderia usar para realizar tudo o que sonhou... O que sonhou? Estácio mal se lembrava de seus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto caminhava em linha reta por ruas das quais não mais se recordava, ele tentava se lembrar de algum de seus sonhos. Quando criança quis ter um videogame. Agitou as moedas no bolso e verificou com tristeza que não seriam suficientes para comprar um videogame, além do que, sua televisão estaria, a essa altura, sendo vendida na feira dos ratos. Lembrou-se também que queria ter tido um filho homem para colocar-lhe o nome de Estácio Neto, em homenagem ao seu pai, mas este sonho também não seria realizado agora, afinal que mulher teria um filho com um homem sem eletrodomésticos? E além de tudo, seu nome estava fora de moda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro sonho de que se lembrou foi o de se tornar marinheiro. Estácio tinha pelo mar um misto de medo e fascínio. Achava que se fosse marinheiro falaria vários idiomas e conheceria mulheres de cabelos ruivos. Lutaria contra piratas e monstros, seria encantado por sereias e tesouros, viveria grandes aventuras e poderia fugir num cargueiro sem bandeira, rumo a lugar nenhum, no dia em que estivesse cansado disso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo erro de Estácio foi entrar na água de roupa, tão logo o mar apareceu em sua frente. Interpretou o encontro como um sinal, ainda que a linha reta na qual caminhava lhe levasse inexoravelmente à orla da cidade. O sonho era ser marinheiro, mas um banho de mar estava de bom tamanho por agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estácio não ia à praia. Estácio ia ao trabalho e voltava pra casa. Aos domingos Estácio via TV, jogava damas e comia pastel, mas nada disso ele fazia na praia. Estácio não conseguiu se lembrar porque, mas se lembrou que gostava de ir à praia quando era criança, com o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sapatos ficaram pesados e a roupa cheia de bolhas de ar que lhe faziam cócegas. A água estava clara, o céu bonito. Na areia poucas pessoas tomavam sol ou passavam de um lado a outro. “Que dia bonito para começar a viver" Pensou. Mas isto não era uma propaganda de automóveis. E mesmo para se fazer parte de uma propaganda de automóveis era preciso ter dinheiro. Estácio não tinha nenhum, exceto algumas moedas cheias de areia no bolso da calça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá foi Estácio, com a camisa de linho branco, encharcada e transparente, a calça preta grudando no corpo e os bolsos cheios de água, andando pela calçada sem saber ao certo aonde ia. A linha reta que lhe levara à praia ficara para trás. Agora, o sol quente em sua cabeça e o sal secando na roupa que pinicava seu corpo lhe induziam a um ziguezague nas proporções da sua confusão mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro erro de Estácio não pode ser atribuído diretamente a ele, mas trata-se de uma conseqüência dos outros dois, assim como os outros dois são conseqüência de todos os outros que ele havia cometido desde a época em que gostava de ir à praia com o pai. O sal, o sol, o incômodo, a sede, as roupas molhadas pinicando, a constatação de que seria necessário bem mais que um banho de mar para mandar tudo à merda e a desidratação fizeram com que ele caísse desmaiado no meio do calçadão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estácio acordou num posto de saúde perto de sua casa, nu sobre a cama. Estava coberto com um lençol, tinha uma forte dor de cabeça e um tubo de soro ligado ao seu braço. Teve de esperar para sair dali. Recebeu da enfermeira responsável uma extensa bronca da qual não pode distinguir as palavras, recomendações de repouso e o saco plástico onde estavam seus pertences: um bolo de roupas úmidas e cheias de areia. Aparentemente, quem lhe prestou assistência, cobrou pela ajuda, pois suas moedas não estavam mais no bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda atordoado e num gesto quase automático, Estácio andou para casa.Ao contrário do que esperava, encontrou a porta fechada. Se deu conta ainda de que a chave havia sumido junto com as moedas. Foi assim que, sem mais forças, nem nervos, nem saco, vencido pela dor de cabeça e pelo cansaço, Estácio se deitou no chão e dormiu um sono profundo. Estirado na frente de sua casa - fechada, intacta, cheia dos eletrodomésticos que ele havia comprado ao longo de tantos anos - foi, ao menos, poupado de ver aquele que lhe havia socorrido mais cedo no calçadão abrir a porta de sua casa para recolher o resto do pagamento pelo socorro prestado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-7108335946390748125?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/7108335946390748125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=7108335946390748125&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7108335946390748125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7108335946390748125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/07/uma-casa-cheia-de-eletrodomsticos.html' title='Uma Casa Cheia de Eletrodomésticos'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RprwQmVfOaI/AAAAAAAAAMQ/M8qm4feW5wo/s72-c/298057_59362.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-3806334288438880437</id><published>2007-07-13T10:27:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T10:55:01.906-03:00</updated><title type='text'>Microconto XIV - Consciência</title><content type='html'>Anos antes, havia cometido algo imperdoável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-3806334288438880437?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/3806334288438880437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=3806334288438880437&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3806334288438880437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3806334288438880437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/07/microconto-xiv-conscincia.html' title='Microconto XIV - Consciência'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-7377157260122953997</id><published>2007-07-09T22:52:00.001-03:00</published><updated>2007-07-09T22:54:31.491-03:00</updated><title type='text'>Um Passo - Texto completo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RpLmhXPx3KI/AAAAAAAAAME/DGZyL6wKrbQ/s1600-h/palha%C3%A7o.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RpLmhXPx3KI/AAAAAAAAAME/DGZyL6wKrbQ/s320/palha%C3%A7o.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5085380390104980642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Na incerta estrada de nossas vidas, cada bifurcação é decisiva. Mas ainda que cada passo, cada tropeço, decida silenciosamente por onde seguimos e onde cairemos, existe aquele momento específico que mostra com toda clareza sua importância. É o momento que catalisa todos os outros e te joga numa direção completamente diferente, e ganhar ou perder depende exclusivamente do caminho que se escolhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha vida, esse momento foi uma noite com cheiro de chuva. A meia-luz amarelada dos postes iluminava somente a fumaça que saia de cada bueiro e fazia um pouco de frio. A lua refletida nas poças d'água passava quase desapercebida. Não me lembro de onde estava vindo, mas sei que caminhava para casa. O passo sem pressa era de indiferença. Naquela época dava no mesmo aonde eu ia. Foi quando vi, de relance, o brilho de um objeto no meio da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei o olhar para ver se era uma moeda, mas pareceu muito maior. Seria um anel? Foi quando me dei conta que havia tirado a sorte grande. Chegando mais perto me deparei com um diamante enorme que brilhava no meio daquela rua escura, refletindo a luz da lua. Olhei para os dois lados a fim de ter certeza de que não havia mais ninguém por perto. Sabe-se lá que espécie de armadilha era essa? Um diamante daquele tamanho deveria valer uma fortuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me abaixei para pegar a jóia, mas nesse momento ouvi passos muito fortes do outro lado da rua. Alguém corria a toda velocidade. Poderia se tratar de qualquer coisa: a essa hora da noite nunca se sabe o que esperar. Eu coloquei a jóia rapidamente em meu bolso e tentei sair caminhando naturalmente, mas logo percebi que era atrás de mim que estavam correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem com a cara pintada a pasta d'água, batom e peruca, usando um terno preto clássico e outro com um macacão estampado de losangos intercalados vermelhos e amarelos com babados nas pontas e os pés descalços, saltaram sobre mim com toda a força e me imobilizaram. Um terceiro se aproximou com mais calma. Trajava um terno roxo com uma camisa verde de babados e uma calça branca com listras azuis bem claras. No seu rosto os restos da maquiagem de palhaço criavam junto com o cabelo preto desgrenhando uma combinação ao mesmo tempo bizarra e assustadora. Deu um trago no charuto que trazia nas mãos e perguntou enquanto os outros me seguravam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde está a jóia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não respondi. Um dos palhaços me deu um golpe forte no estômago e nas costas, o chefe perguntou outra vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde está a jóia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu apertava a jóia em minha mão direita escondida dentro do bolso da calça. Não posso dizer que tivesse algo a perder, minha própria vida não me valia muito. Nessa época rondava bares e boates em busca das sobras de amizades e restos de cerveja das quais me nutria. Uma existência de folhetim que jamais imaginei poder se abater sobre mim, mas na espiral da vida acontece tudo muito rápido, e quando você percebe, o fundo do poço já está muitos metros acima de sua cabeça. Os momentos tinham uma consistência semelhante à dos sonhos, era como se eu estivesse num eterno torpor me arrastando sobre uma consciência apagada. E aquele diamante parecia ter despertado por alguns instantes meu eu adormecido. Onde haviam ido parar meus sonhos? Seria possível corrigir meus rumos e voltar ao que deveria ter sido? Tudo isso se materializava naquela jóia que eu apertava em minha mão direita, dentro do bolso da calça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde está a jóia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada silêncio era um novo golpe. Eu não me lembro em que momento ele parou de perguntar, ou se fui eu quem parou de ouvir, mas sei que continuei a levar socos e pontapés até que caísse inconsciente: minha boca e minhas mãos fechadas como pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que me despertei, ainda de olhos fechados, procurei em meu bolso direito pela jóia. Nada. Abrindo os olhos percebi que estava em casa. Haviam desaparecido as marcas, as feridas e as manchas de sangue do meu corpo. Eu procurei em volta e não pude entender como havia chegado ali. O diamante não estava em lugar algum, eu continuava com a mesma roupa da noite anterior. Simplesmente não fazia sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante aquele dia cheguei a duvidar de minha mente. Mas, se o sangue da noite anterior não era mais real, a dor das pancadas que levei se fazia presente como prova indubitável. Nada que diferisse muito, porém, da minha ressaca habitual diurna. Com o passar das horas cheguei quase a me esquecer do que se havia passado, afinal tudo estava de volta no seu lugar. Não seria este, de toda forma, o primeiro sonho a deixar suas marcas na manhã seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco antes das sete saí de casa para comer alguma coisa. Mas no caminho, assim que a lua despontou no céu, eu senti um volume no meu bolso. Não seria possível, mas era real: a jóia estava ali oura vez entre meus dedos, no mesmo lugar onde esteve no dia anterior quando eu desmaiei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tive sequer o tempo de tentar entender, pois olhando em volta reconheci de imediato a sombra de um dos palhaços que surgia na esquina. Corri o máximo que pude, mas eles eram três, e se dividiam na perseguição me encurralando por entre os becos e as ruas estreitas do centro. Eu caí e eles me pegaram outra vez. Outra vez os restos de maquiagem, outra vez as cores berrantes, o charuto, a mesma pergunta insistente, os golpes e o desmaio. Outra vez me despertei sem marcas, sem jóia, sem passado e nem futuro em vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então minha vida tem sido assim: De dia sonho com o diamante e à noite o tenho em minhas mãos. Todas as noites corro dos palhaços que querem tirá-lo de mim; algumas vezes eles me acham e me quebram braços e pernas; algumas vezes eu consigo me esconder e então faço o possível para me manter acordado e não perder a jóia mas acabo pegando no sono e tudo começa outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que existe alguma ligação entre a consciência, o amanhecer e as realidades, mas ainda não consegui descobrir como usá-los a meu favor. Agora que já desperdicei a maior parte da vida nesse jogo de gato e rato, não posso mais desistir. Só o que preciso é de uma forma de conjugar os três elementos. Estou me equilibrando sobre coisas que não compreendo e sinto que minha vida está por um triz. Na bifurcação onde parei, estou a um passo de qualquer coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-7377157260122953997?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/7377157260122953997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=7377157260122953997&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7377157260122953997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7377157260122953997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/07/um-passo-texto-completo.html' title='Um Passo - Texto completo'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RpLmhXPx3KI/AAAAAAAAAME/DGZyL6wKrbQ/s72-c/palha%C3%A7o.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-543945433920823448</id><published>2007-07-09T00:42:00.001-03:00</published><updated>2007-07-09T00:43:33.676-03:00</updated><title type='text'>Microconto XIII - Segredo</title><content type='html'>De tão bem guardado, ninguém jamais soube. E o grande segredo acabou virando um dito popular.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-543945433920823448?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/543945433920823448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=543945433920823448&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/543945433920823448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/543945433920823448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/07/microconto-xiii-segredo.html' title='Microconto XIII - Segredo'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2268768499905139904</id><published>2007-06-29T13:57:00.000-03:00</published><updated>2007-06-29T13:58:51.279-03:00</updated><title type='text'>Microconto XII - Da Pertinência</title><content type='html'>Realizado seu sonho, Aristide não voltou a dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2268768499905139904?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2268768499905139904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2268768499905139904&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2268768499905139904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2268768499905139904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/06/microconto-xii-da-pertinncia.html' title='Microconto XII - Da Pertinência'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-4975249159068726572</id><published>2007-06-24T22:58:00.000-03:00</published><updated>2007-06-24T23:08:13.735-03:00</updated><title type='text'>O Inimigo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rn8jERgcJ4I/AAAAAAAAAL0/UHpYdDtGyUE/s1600-h/areia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rn8jERgcJ4I/AAAAAAAAAL0/UHpYdDtGyUE/s320/areia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5079817461023123330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Amanheceu e o sol me levantou aos beliscões. Cuspi areia com sangue, tomei um gole de água do cantil, precisei de todas as forças para me reerguer. Acordei com a firme determinação de encontrar o autor daquele golpe. O sol cozinhava meus delírios e fervia meu desejo de vingança. Não pude encontrá-lo nas nuvens, nem no horizonte e nem sequer em minha memória adormecida. Ao meu redor somente o deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me deixei vencer pelo cansaço. Abandonei meu corpo ao chão, encolhi a cabeça no meio das pernas e chorei. Primeiro foram lágrimas de ódio, depois vieram as lágrimas de desespero, em seguida as de sede e calor. Foram lágrimas suficientes para molhar a areia e fazer brotar dela um imenso rio por onde passaram baleias e navios, piratas e exercitos. Passavam ora caminhando na flor d'água, ora submersos, mas visíveis. As lágrimas permeiam a vida assim como o ar e o rio não lhes oferecia resistência. Passaram barcos de pesca e cortes de reinos distantes e, em meio a eles, passou correndo o meu cavalo. Eu tentei alcançá-lo mas não pude. A areia me atrasava o passo e ele se foi. Voltou pouco depois em meio a uma legião que partia para a guerra, mas dessa vez me carregava na garupa. Eu ia com a face torcida de ódio e nem vi quando fui derrubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me encontrei desacordado no chão durante horas até perceber que meu inimigo não tinha rosto, muito menos havia ele disputado comigo alguma batalha esquecida. Engoli o sangue, a areia e o orgulho e peguei no sono outra vez. À noite é mais fácil caminhar. Além do quê, me guiam as estrelas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-4975249159068726572?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/4975249159068726572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=4975249159068726572&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4975249159068726572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4975249159068726572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/06/o-inimigo.html' title='O Inimigo'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rn8jERgcJ4I/AAAAAAAAAL0/UHpYdDtGyUE/s72-c/areia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8554099690927641416</id><published>2007-06-21T21:33:00.000-03:00</published><updated>2007-06-21T21:35:12.141-03:00</updated><title type='text'>Microconto XI - O Fio da Meada</title><content type='html'>Na encruzilhada, virou à esquerda. Jamais seria o mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8554099690927641416?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8554099690927641416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8554099690927641416&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8554099690927641416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8554099690927641416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/06/microconto-xi-o-fio-da-meada.html' title='Microconto XI - O Fio da Meada'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-3215798202450849234</id><published>2007-06-17T18:00:00.001-03:00</published><updated>2007-06-18T22:05:54.639-03:00</updated><title type='text'>Eu e a Moça</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RnWi1hgcJvI/AAAAAAAAAKg/Y6JEl7VQS1A/s1600-h/chuva01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RnWi1hgcJvI/AAAAAAAAAKg/Y6JEl7VQS1A/s320/chuva01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5077143195341301490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A moça da chuva é temperamental e só faz o que quer. Eu já tentei argumentar, discutir, provar por a mais bê que aqui não deve chover nessa época do ano e sim naquela outra, e que tem lugares que precisam dessa chuva agora e não depois de amanhã. Mas ela não dá a mínima pra geografia, não me ouve e nem ouve ninguém. E quando a gente briga, sempre chove. E sair de casa se torna uma tarefa insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi um pouco diferente. Choveu como sempre, mas eu não saí de casa. Amanheci muito doente. Quando o despertador tocou, eu já sabia que não iria me levantar e aquele barulhinho chato me convidava cada vez mais pra dentro. Esperei que ele parasse de tocar e puxei as cobertas até a altura do nariz. Estava completa a minha doença. No quentinho da minha cama, fazendo somente o que eu queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a moça da chuva tivesse razão em certo ponto. Afinal, ela estava quase sempre bem e eu estava quase sempre mal. Eu tinha meus pés demasiado fincados na terra, ela tinha os olhos sempre voltados para as nuvens. Eu estava eternamente preso à minha condição, ela tinha a displiscência de ser um fenômeno natural: inconsequente, alheia, saltitante, sem obrigações nem culpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitado na cama, se passaram dois dias. Ninguém conseguia entender o que eu tinha, e eu me recusava a ir ao médico. Essa chuva que não passa, dizia forçando uma tosse. A moça da chuva deve ter cansado de birra e deixou o sol sair. Foi quando eu fiquei bom e saí de casa. Fiz as pazes com ela e disse que a compreendia, agora. Lhe pedi que chovesse pra que pudessemos saltar as poças d'água e tomar banho de chuva. Os meteorologistas não entendiam, se perdiam em suas observações e cálculos. Houve desabamentos, catástrofes, alagamentos. Era como se o mundo estivesse mesmo desabando. Mas naquele momento eu era natural e não me preocupava mais com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que eu não era a chuva,  era somente amigo dela. E como acontece sempre aos amigos da chuva, eu fiquei gripado. Agora de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-3215798202450849234?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/3215798202450849234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=3215798202450849234&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3215798202450849234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3215798202450849234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/06/eu-e-moa.html' title='Eu e a Moça'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RnWi1hgcJvI/AAAAAAAAAKg/Y6JEl7VQS1A/s72-c/chuva01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-4315028586433056074</id><published>2007-06-14T14:29:00.000-03:00</published><updated>2007-06-14T14:32:08.989-03:00</updated><title type='text'>Microconto X - Eles dois</title><content type='html'>"Se for embora, não volte mais!" chorando, ela gritava.&lt;br /&gt;Ele já não ouvia, e por isso sempre voltava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-4315028586433056074?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/4315028586433056074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=4315028586433056074&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4315028586433056074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4315028586433056074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/06/microconto-x-eles-dois.html' title='Microconto X - Eles dois'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2625792683344165293</id><published>2007-06-11T03:23:00.001-03:00</published><updated>2007-07-16T03:07:46.868-03:00</updated><title type='text'>O Dançarino Descalço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rm6_gxgcJtI/AAAAAAAAAKA/RaIVJhLu17M/s1600-h/23+copy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5075204399859246802" style="margin: 0px auto 10px; display: block; cursor: pointer; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rm6_gxgcJtI/AAAAAAAAAKA/RaIVJhLu17M/s320/23+copy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conheci Monton enquanto passava um final de semana na praia, há quase uma década. Estávamos na casa de um amigo comum, o Anúlfo, porém nunca havíamos sido apresentados. Lembro de ter-me parecido um rapaz reservado, porém interessante, com notáveis pontos de vista sobre o que quer que se discutisse à sua volta. Ele possuía certa inquietação em pôr as coisas à prova, e sua argumentação entrava sempre por ângulos que ninguém havia pensado antes. Um minimalista, talvez, mas a partir do mínimo, fazia ruir o máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos conhecíamos bem, por isso também não trocávamos mais que algumas palavras. Eu sabia dele apenas o pouco que pegava em conversas cortadas ao meio e o que me haviam contado a seu respeito: que era formado em matemática pura, pós-graduado em história das ciências naturais e que metia o seu bedelho em quase todas as áreas de conhecimento; lia até bula de remédio. Estaria em eterno conflito com o meio acadêmico, justamente por questionar o que ele chamava de "os dogmas da ciência", as bases sobre as quais repousa o conhecimento ocidental e que estariam a tal ponto arraigadas em nossa forma de pensar que já não poderiam mais ser revistas e nem postas à prova. Monton não confiava no discernimento dos acadêmicos e tinha certa ambição megalomaníaca de rever absolutamente tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uma tarde em que, voltando da praia, peguei pelo meio uma discussão que ele travava na varanda com o Anúlfo. Estavam os dois sem camisa, de chinelos e bermuda, sentados confortavelmente em cadeiras de praia sobre a grama. Monton falava a Anúlfo a respeito dos números, dizia que o que teria de ser revisto não seria a sua organização decimal, mas a exatidão do seu sistema de unidades de grandeza. "Por que contamos 1, 2, 3, 4? De onde vieram estas grandezas, por que ninguém contesta sua exatidão? Qualquer estudioso de matemática percebe facilmente que o que define a natureza são números de outra ordem!" Dizia. Anúlfo retrucava com os argumentos óbvios de que estas eram as grandezas mensuráveis, que eram as que podíamos contar nos dedos, etc. Eu tenho um dedo, dois dedos, eu chuto três pedras, na minha família somos quatro pessoas, exemplificava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não entendia a fundo os números, mas posso dizer que apesar de concordar em princípio com Anúlfo, os argumento de Monton eram muito mais interessantes. Ele falava em Pi, falava em números neperianos e em outros nomes que a minha memória não foi capaz de guardar. Para ele os números naturais, as grandezas básicas a serem expressas em um único algarismo, seriam números tais como 2,718; 3,141516; etc. Números que resolvem equações trigonométricas e constam da maior parte das fórmulas e gráficos e Anúlfo, enquanto engenheiro, não poderia discordar. Dizia ainda que as grandezas mensuráveis só eram exatas porque alguém um dia disse isso e todo o mundo aceitou como certo, mas um dedo não é igual ao outro, assim como uma pedra não tem o mesmo tamanho nem a mesma forma e nem um membro da família equivale em valor ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram coisas que me faziam pensar. E eu ficava escutando; colocava minha cadeira de junto, pegava uma cerveja no freezer e me deleitava com a implosão do mundo inteiro a partir de seus argumentos. Naquela época estava ainda numa fase caótica da vida, onde nada estava definido e eu acho que gostava disso. Havia largado a universidade pra estudar música e era visto em casa como a ovelha negra da família. Mas o que me levou a escrever sobre Monton após tanto tempo não foram meus problemas familiares, há muito superados, tampouco somente a vontade de aludir a uma personalidade marcante, mas sim o conteúdo interessantíssimo da nossa única conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa noite estava na varanda sozinho. Tinha tomado meu banho depois da praia e estava sentado tocando gaita enrolado num cobertor, enquanto os outros se distraiam com jogos de baralho. É necessário acrescentar que naquela época eu ainda estava me iniciando no estudo da gaita. Monton apareceu com uma cerveja na mão e se sentou por perto. Um pouco envergonhado, tratei de lhe explicar que ainda não conseguia separar os sons da gaita e tudo o que conseguia fazer com ela eram aqueles sons de notas tocadas ao acaso. Ele me respondeu com uma pergunta: “O que é a música, senão um monte de notas emitidas ao acaso?” Eu lhe respondi que se tratava ao menos de um acaso ordenado. “Segundo obra de outro acaso”, respondeu, e começou a me contar do projeto no qual estava envolvido naquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monton estava de partida para a Hungria, onde teriam sido descobertos documentos capazes de provar que toda a noção de harmonia da musica ocidental não passava de uma criação do acaso, e nada teria de exato ou mesmo real. Segundo o que ele dizia, a famosa peça para cravo “Der Barfusstänzer” do compositor húngaro Milo Varnhagen, datada do ano de 1522 e considerada pelos acadêmicos como o marco inicial da música ocidental, não teria sido escrita por Varnhagen, mas por um de seus sobrinhos em idade de 2 a 5 anos. Não passando de um monte de rabiscos feitos sem intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos não entendidos de música, para compreender a gravidade da acusação de Monton, é necessário esclarecer que desta peça foram retirados os fundamentos teóricos e estilísticos da música como a conhecemos hoje, e toda a estética posterior foi baseada no primor de suas frases e escalas. Alguns estudiosos mais exaltados chegam a afirmar que nada foi feito na música ocidental desde o século XVI, a não ser uma constante releitura de “Der Barfusstänzer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tese de Monton se baseava na análise de documentos valiosíssimos encontrados na Hungria após a queda da cortina de ferro. São arquivos que foram mantidos escondidos por diversas sucessões de regimes desde a idade média. Dentre eles estariam além de documentos oficiais, diários e periódicos, uma vasta coleção de crônicas populares dos séculos XVI e XVII. Desde a divulgação do achado, a comunidade cientifica se alvoroçou e o acesso aos documentos vem sendo disputado por pesquisadores e estudiosos de inúmeros países. Monton havia conseguido uma vaga na primeira expedição que foi lá fazer o levantamento do acervo, e havia podido ter em mãos informações suficientes para formular diversas teorias e pôr abaixo outras tantas. Porém o que mais lhe instigava no momento era esta história sobre a famosa peça de Varnhagen, já que era também ele, um amante da música. Agora se encontrava em um bom lugar na lista de espera para fazer um estudo mais demorado e direcionado dos documentos e estimava em dois ou três meses sua partida para Budapeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me contou do que havia lido em alguns diários da época: que Varnhagen teria perdido a audição aos dezesseis anos de idade e que antes disso teria estudado música num conservatório por muitos anos. Havia chegado a ser bastante habilidoso com o cravo, mas sem demonstrar nenhum talento especial. Com a morte de seu pai, uma das vítimas da peste de 1536, teria sido forçado a abandonar a música e começar a trabalhar como ajudante na cozinha de uma família rica. As circunstâncias em que ele teria perdido a audição permanecem ainda um tanto obscuras, mas certamente se tratou de um acidente de trabalho. De toda forma, surdo e obrigado a trabalhar para sustentar a família, o jovem Milo Varnhagen teria desistido de qualquer pretensão musical. Seu cravo e suas partituras teriam sido empurrados para um canto e a sala de sua casa passara ainda a abrigar duas de suas irmãs com os filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À época em que a peça foi composta Milo estava, portanto, na miséria; surdo dos dois ouvidos, havia deixado o conservatório e trabalhava cerca de quatorze horas por dia, voltando para casa somente para dormir. Durante o dia, seus sobrinhos corriam de um lado a outro, mexiam em seu cravo e rabiscavam suas partituras. Assim teria surgido “Der Barfusstänzer”. Segundo Monton, seria visível a diferença entre a caligrafia de Varnhagen, caprichosa e firme, e a que figura na partitura original. Esta, com uma letra infantil, tremida e cheia de desenhos tortos e linhas sem sentido ao redor do papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um antigo professor lhe teria feito uma visita, como ele não estivesse em casa, decidiu esperá-lo e se deparou com a partitura rabiscada jogada em algum canto da sala, como Varnhagen demorava muito, ele foi embora. Levou consigo, porém a partitura original que permaneceu arquivada no conservatório durante quase três décadas. Varnhagen, assim como muitos de seu tempo, morreu na miséria, sem reconhecimento nem genialidade, no anonimato de uma cozinha rica enquanto sua família passava fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho que levou este rabisco de música (Der Barfusstanzer ou “O Dançarino Descalço” em português, foi um título póstumo, datado de 1572 d.C.) a se tornar o marco inicial da história da música ocidental ainda são obscuros. Monton falou algo sobre o reitor do conservatório ter apresentado como sua a composição e sido bastante aplaudido na época, mais pelo seu prestígio que pela qualidade da peça tocada, o prestígio teria se transferido de tal forma da pessoa ao produto que após sua morte, tendo ele sido desmascarado, o prestígio passou da partitura outra vez para a pessoa, desta vez Milo Varnhagen. O autor real, uma criança cuja identidade Monton considera impossível de averiguar, e seu grande mestre, o acaso, permaneceram na obscuridade por todos estes anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A argumentação de Monton era muito convincente e eu não pude deixar de ficar perturbado. Escassos são os registros do que foi a música ocidental antes de 1572 d.C. Esta peça é o documento mais antigo de que se tem notícia e sua contestação põe abaixo tudo o que veio depois, afinal ela inaugurou um sistema. E era justamente isso que desejava Monton na Hungria, pesquisar os registros restantes do que foi a música antes disso. “Eu vou lá buscar a verdade e não volto enquanto não a tiver em mãos!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta frase fez como um “click” em minha cabeça. Foi o que me fez desvendar a personalidade de Claude Monton. Ele era tido por muitos como um desconstrutor, por outros como um baderneiro que desejava apenas desestabilizar a academia, trazer a escuridão aonde havia luz, balançar os alicerces e destruir o edifício da ciência. Mas no fundo ele só queria poder confiar. Monton, mais que qualquer um de nós, sentia o balanço da terra. Sentia a precariedade dos alicerces sobre os quais foi construído o conhecimento humano, ele previa o seu desmoronamento e queria conduzir as reformas necessárias antes que tudo ruísse. Ele queria um chão onde pisar para por fim a toda a sua angústia. Mais que qualquer um de nós, Monton precisava da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta não foi a última vez que soube de Monton. Há cerca de dois anos ele me escreveu uma carta da Hungria. Dizia ter se apossado de documentos de valor inestimável, contava que havia tido de empregar métodos vergonhosos para chegar até eles, mas que enfim estudava música: a verdadeira música, fruto de estudos matemáticos avançados e não do acaso e das crendices humanas. Convidava-me a ir vê-lo e para comprovar o que dizia me enviava uma peça de sua autoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma composição para piano. Elaborada segundo as novas (ou antigas) regras que ele estudava no momento. No dia em que recebi a carta analisei demoradamente a partitura. Estava escrita num ritmo complicado, mostrando que Monton ia além do estudo da música anterior a Varnhagen. Ele empregava seus conceitos de grandezas matemáticas e indicava o andamento e o ritmo em equações trigonométricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia ter tocado sua canção caso tivesse dedicado algum tempo à tarefa de interpretar aquela confusa ordem de tons e ritmo, mas confesso que o temor venceu a curiosidade. Na época me faltava um semestre para concluir o curso de música na Universidade Federal e meu projeto de conclusão de curso já provocava suspiros por parte de meus orientadores. Eu era um gaitista primoroso e avançava a passos largos no estudo do piano. Estava perfeitamente confortável dentro do universo da música ocidental e pouco me importava se ele era real ou imaginário. Melhor ser rei no mundo da fantasia que mendigo no mundo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partitura foi abandonada em uma gaveta após três dias sobre meu piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, quem sabe, a história se repete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2625792683344165293?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2625792683344165293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2625792683344165293&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2625792683344165293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2625792683344165293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/06/valsa-para-se-danar-de-ps-descalos.html' title='O Dançarino Descalço'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rm6_gxgcJtI/AAAAAAAAAKA/RaIVJhLu17M/s72-c/23+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2447876947132923109</id><published>2007-06-07T05:41:00.001-03:00</published><updated>2007-06-07T05:41:59.687-03:00</updated><title type='text'>Microconto IX - Surpresa</title><content type='html'>"A essa hora da madrugada?" Pensou o velho antes de morrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2447876947132923109?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2447876947132923109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2447876947132923109&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2447876947132923109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2447876947132923109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/06/microconto-ix-surpresa.html' title='Microconto IX - Surpresa'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2462427773428653014</id><published>2007-06-03T23:17:00.000-03:00</published><updated>2007-06-03T23:25:11.521-03:00</updated><title type='text'>Além do Visível</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Este texto é uma versão aumentada do post &lt;a href="http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/01/verde-musgo_14.html"&gt;Verde-Musgo&lt;/a&gt; e foi publicada na edição nº 75 de A Tardinha, no dia 17 de Março de 2007)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RmN27UxyMeI/AAAAAAAAAJQ/6IImvI_LQEA/s1600-h/Al%C3%A9m+do+visivel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RmN27UxyMeI/AAAAAAAAAJQ/6IImvI_LQEA/s320/Al%C3%A9m+do+visivel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072028366911189474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Helinho nasceu com certo defeito nos olhos que lhe ampliava o espectro de cores. Além das sete cores do arco-íris, via mais uma, a que vem depois do violeta. Seus pais ficaram, a princípio, alarmados com a situação. E foi somente após diversas consultas com especialistas e de uma bateria de exames que o médico lhes explicou a situação: O menino via além do visível para a maior parte das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trataram de compreender o filho, e fizeram o possível para que ele levasse uma vida normal. Tiveram de trocar de lavanderia algumas vezes, pois o sabão deixava as roupas ultra-violeta e a casa teve de ser pintada com uma tinta especial, escolhida a dedo por Helinho. A paciência dos pais não era porém, sem-limites e, algumas vezes, se esgotava.&lt;br /&gt;- Não vou comer isso! é ultra-violeta!&lt;br /&gt;- Isso é branco e se chama couve-flor! Trate de terminar seu prato ou vá direto para o quarto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora nesse caso, o problema estivesse todo na couve-flor, Helinho chegou a detestar, por certo tempo, a cor que o fazia se sentir sozinho no mundo. Do que adiantava ver tudo mais colorido se não podia comentar com ninguém? Por um tempo, tentou limpar com agua e sabão, alcóol e até mesmo querosene, as manchas ultra-violetas de todos os objetos à sua volta. Mas ela inistia. Vinha por debixo da porta, numa manchinha de sabão, num brinquedo novo. Ou simplesmente surgia como um raio luminoso no escuro do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia Helinho se deu por vencido. Como poderia lutar contra os próprios olhos? Acabou não só aceitando, como se encantando pelo mundo que só ele via. Achou o pôr-do-sol tão lindo com seus raios ultra-violetas iluminando as nuvens. Descobriu que de noite o céu não fica escuro, e sim de um ultra-violeta bem clarinho, e que, quando refletido no mar, o faz parecer-se com uma piscina de luz invisível. Só não entendia porque chamavam àquela cor, ultra-violeta, se violeta era, de todas as cores, a com que ela menos se parecia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2462427773428653014?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2462427773428653014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2462427773428653014&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2462427773428653014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2462427773428653014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/06/alm-do-visvel.html' title='Além do Visível'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RmN27UxyMeI/AAAAAAAAAJQ/6IImvI_LQEA/s72-c/Al%C3%A9m+do+visivel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-7337149520766292638</id><published>2007-05-31T21:15:00.000-03:00</published><updated>2007-05-31T21:16:55.551-03:00</updated><title type='text'>Microconto VIII - Dos Horizontes</title><content type='html'>Ainda tem uma porção de coisas bonitas nos esperando, amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-7337149520766292638?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/7337149520766292638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=7337149520766292638&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7337149520766292638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7337149520766292638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/05/microconto-viii-dos-horizontes.html' title='Microconto VIII - Dos Horizontes'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-7699611037244162232</id><published>2007-05-27T16:16:00.000-03:00</published><updated>2007-05-27T18:35:07.406-03:00</updated><title type='text'>O Mestre do Tempo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RlnZkUxyMdI/AAAAAAAAAJI/Jzsbu1x9L2Y/s1600-h/sapo03.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RlnZkUxyMdI/AAAAAAAAAJI/Jzsbu1x9L2Y/s320/sapo03.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5069322073658241490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O sapo veio pulando pelo jardim. Era a primeira vez que Pedrinho via um sapo em sua vida. "Nossa", pensou, "que sapo feio!" Era muito mais feio que os sapos dos desenhos e dos livros de colorir. Pedrinho estava passando o final de semana na praia, mas, por causa da chuva, ficou o dia inteiro brincando dentro de casa. Agora que a chuva havia finalmente dado um tempo, ele saiu pra explorar o jardim. Seus pais estavam na cozinha preparando uma macarronada para o jantar e assistindo televisão bem alto. O menino explorava o pântano no qual tinha se transformado o jardim após a chuva. Havia poças d'água por todo lado e tanto barulho de bicho que mais parecia uma sinfonia. Foi quando ele viu o sapo feio se aproximar pulando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente Pedrinho quis vê-lo de perto. Tinha que aproveitar, pois dificilmente veria um sapo em seu prédio ou na escola. Ele foi chegando perto e, de repente, o sapo parou de pular. Pedrinho tomou um susto. O sapo não só parou, mas assumiu uma posição de estátua mística e congelou o tempo. Não se ouvia mais o barulho da televisão, nem o barulho dos bichos em volta, nada. Até o vento ficou quieto. Foi como se o mundo todo tivesse feito silêncio de uma só vez. Pedrinho ficou em dúvida se poderia se movimentar já que tudo o mais estava parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para o sapo e o bicho lhe disse que o tempo não estava correndo e, conseqüentemente, o espaço não existia. Pedrinho não entendeu e perguntou porque ele tinha parado o tempo. O sapo respondeu que tinha feito isso para poder conversar um pouco, porque estava se sentindo só e a passagem do tempo não lhe permitia parar. "Quando o tempo está correndo, você está sempre correndo contra ele", disse. Qualquer conversa se torna vaga e nada se desenvolve se você tem um fim marcado, se aproximando a toda velocidade. O sapo do tempo só conseguia conversar quando o tempo estava parado. Assim, o assunto fluiria naturalmente e terminaria quando tivesse de terminar, sem pressão. Aí, ele, que controlava o tempo, despausava e voltava a pular de poça em poça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedrinho achou interessante o que o mestre do tempo lhe disse. Podia compreender bem o que ele sentia. Também detestava que lhe interrompessem quando estava brincando porque estava na "hora do banho", na "hora de escovar os dentes", na"hora de ir pra cama", na "hora de ir para a escola". Havia sempre uma "hora de alguma coisa" pra interromper tudo e ele raramente conseguia terminar alguma brincadeira por vontade própria. Então o menino ficou alí e conversou um bocado com o sapo mestre do tempo, até que os dois se cansaram. Não se cansaram fisicamente, pois estavam parados no tempo e era como se estivessem ali apenas por um instante, mas o assunto chegara ao fim e nenhum dos dois tinha mais nada pra dizer. Pedrinho lhe fez, então, uma última pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mestre do tempo, você é um cara tão poderoso, porque está em forma de sapo pulando de poça em poça, foi alguma maldição de bruxa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mestre do tempo respondeu que era muito mais forte que as bruxas e que nenhuma delas ousaria lançar-lhe um feitiço. Ele tinha nascido sapo, e se acostumou a comer insetos e pular de poça em poça, por isso não assumia uma outra forma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É legal, você devia experimentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim os dois se despediram. Num instante, Pedrinho ouviu o grito de sua mãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pedrinhooooo, sai desse mato que tá na hora de comer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sapo atravessou pulando o jardim e sumiu pelo brejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-7699611037244162232?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/7699611037244162232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=7699611037244162232&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7699611037244162232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/7699611037244162232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/05/o-mestre-do-tempo.html' title='O Mestre do Tempo'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RlnZkUxyMdI/AAAAAAAAAJI/Jzsbu1x9L2Y/s72-c/sapo03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-6510071786650834693</id><published>2007-05-24T01:24:00.000-03:00</published><updated>2007-05-24T01:26:55.897-03:00</updated><title type='text'>Microconto VII - O Que Passou</title><content type='html'>Perdeu ainda mais tempo na tentativa de recuperar o tempo que havia perdido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-6510071786650834693?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/6510071786650834693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=6510071786650834693&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6510071786650834693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6510071786650834693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/05/microconto-vii-o-que-passou.html' title='Microconto VII - O Que Passou'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1473244599933863304</id><published>2007-05-20T01:32:00.000-03:00</published><updated>2007-05-21T00:26:15.355-03:00</updated><title type='text'>O Escritor de Microcontos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rk_QBExyMaI/AAAAAAAAAIo/AistbH4UqHU/s1600-h/19.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rk_QBExyMaI/AAAAAAAAAIo/AistbH4UqHU/s320/19.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5066496822696096162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O escritor de microcontos é um cara impaciente. Decidiu criar barba, pois não gosta de perder tempo. Esquece de cortar o cabelo em meio aos afazeres importantíssimos e volta e meia sai de casa sem se pentear por causa de um atraso imprevisto ou de um adiantamento de agenda. É um homem sóbrio e de maneiras apressadas, porém atencioso. Dedica sua extrema atenção ao minucioso planejamento de todas as suas tarefas. Está sempre decidindo, não o que pretende fazer, mas o que vai deixar de fazer hoje. Ele administra pendências. Caso você precise de algo, ele tem um bom coração: dedicará a você o tempo necessário - não mais, não menos - e depois riscará algo de sua lista de afazeres, antes de sair com pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor de microcontos não se considera um escritor. Ele é engenheiro, advogado, médico legista, gerente de uma mercearia. Ele tem uma vida cheia de coisas importantes e não liga para literatura. Sequer se lembra da última vez que teve tempo de abrir um livro. Se diz contente com as escolhas que fez, mas não consegue dormir à noite. As histórias lhe enchem a mente durante o dia, empatam seu raciocínio e povoam seus sonhos. E ele acorda ainda mais cansado do que quando foi dormir, cansado de viver intensamente 24 horas por dia. Acordado, vive sua vida conforme o plano; dormindo, vive todas as histórias confusas que não queria ter criado, mas que se recusam a ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor de microcontos acorda já suado, se levanta e abre as janelas. Senta-se à mesa e escreve, um a um, todos os seus sonhos. Os pedacinhos de que se lembra de uns, a totalidade esquartejada de outros. São pedaços reduzidos e sintéticos. Ele sabe que as histórias estão dentro de cada um, e que basta uma pista para que as pessoas despertem para elas e vivam-nas por completo, cada uma ao seu modo. Ele escreve estas pistas em parte por crer na imaginação humana, em parte porque não consegue encaixar na sua agenda o tempo de escrever uma história inteira, em parte porque entende que as histórias estejam sempre inteiras e incompletas ao mesmo tempo e ele não gosta de dizer mais que o necessário. Mais que isso, o escritor de microcontos não concebe o esforço desnecessário. Ele viveu toda sua vida fazendo somente o que tinha de ser feito, comprimindo o tempo, espremendo os dias, otimizando os processos. O desperdício, principalmente de tempo, lhe soa como uma insensatez, um descabimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas vão passando e ele enche dez, onze, doze páginas de histórias que ocupam uma linha cada. Algumas precisam de mais palavras, outras de menos, mas todas levam apenas o número exato. Enquanto escreve, sua mente vai se esvaziando. Aquela angústia, aquele suor, aquele barulho, como um raio, passam por suas mãos e preenchem o papel. Não raro ele acorda no outro dia de um sono tranqüilo e reconfortante com o pescoço virado e a testa manchada de tinta de caneta. A cabeça sobre o papel e os contos terminados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São dias bons e proveitosos, geralmente mais calmos que os demais. A mente está limpa, ele não confunde os afazeres, a agenda se articula como num jogo de tétris, cada coisa em seu lugar, cada peça em seu espaço. Nestes dias ele chega a se esquecer de sua identidade indesejada e secreta. O escritor de microcontos volta a ser somente um doutor em física nuclear, um neurocirurgião, um administrador de uma fazenda de avestruzes. Vive como planejou viver, até que as histórias voltem a consumir sua paz, seu juízo e seu tempo. Elas sempre voltam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal sabe o escritor de microcontos quantos escritores de enciclopédia gostariam de ter sua capacidade de síntese. Talvez surgissem, então, microenciclopédias sobre cada tema do mundo. Elas teriam, todas, o formato de um pocket book, só que menorzinho. Cada homem poderia, outra vez, dominar todo o conhecimento existente, e a ignorância desapareceria da face da Terra. Talvez surgissem máximas explicando ciências inteiras. Talvez as ciências deixassem de ser ciências e se tornassem meros exercícios retóricos, repetidos pelos meninos do segundo grau para desenvolver a memória. E a única ciência estudada seria a da síntese geral das coisas, que poderia se chamar Sintetilogia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez nesse dia, o escritor de microcontos pudesse finalmente sentar-se e perceber que fez tudo o que queria num só dia, e que ainda lhe sobrava bastante tempo. Então ele se sentaria à mesa com toda a paciência, depois de ter almoçado longamente, lido o jornal e tomado um cafezinho. Talvez ele se pusesse, após alguns momentos contemplando um objeto qualquer, a escrever romances e histórias cheias de detalhes. Detalhes sem importância, que as pessoas poderiam muito bem intuir sozinhas, mas que eram os detalhes de um mundo que só existe em sua cabeça e que ninguém conhecia antes. Talvez não precisasse nem mesmo deixar de escrever microcontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1473244599933863304?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1473244599933863304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1473244599933863304&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1473244599933863304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1473244599933863304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/05/o-escritor-de-microcontos.html' title='O Escritor de Microcontos'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rk_QBExyMaI/AAAAAAAAAIo/AistbH4UqHU/s72-c/19.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1581776606317880665</id><published>2007-05-17T14:19:00.000-03:00</published><updated>2007-05-17T14:24:00.984-03:00</updated><title type='text'>Microconto VI - Fuga Velada</title><content type='html'>O estrangeiro entrou no bar. Pediu. Comeu. Bebeu. Saiu. Todos os olhos se voltavam não para ele, mas, através dele, para fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1581776606317880665?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1581776606317880665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1581776606317880665&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1581776606317880665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1581776606317880665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/05/microconto-vi-fuga-velada.html' title='Microconto VI - Fuga Velada'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8411526812895586839</id><published>2007-05-13T23:52:00.000-03:00</published><updated>2007-05-14T23:40:37.875-03:00</updated><title type='text'>Nas Ondas do Rádio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RkfTk9Ods4I/AAAAAAAAAIA/njkqWSvInSo/s1600-h/no+ar.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RkfTk9Ods4I/AAAAAAAAAIA/njkqWSvInSo/s320/no+ar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064248937865393026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O vento não precisava soprar,  a água não precisava molhar; bastava que houvessem ondas,  e para isso serviam as do rádio mesmo. Miguel navegava nelas. Ia em seu barquinho de jornal, navegando numa estação, por uma música ou outra, até que a música acabasse e ele ficasse à deriva outra vez, boiando sobre um noticiário ou sobre um comentarista chato de esportes. Pegava, então, uma canção mais rapidinha em outra estação e mudava de rumo. Ia longe como o que, o mar era imenso e as estações levavam por caminhos desconhecidos, onde nenhum homem jamais esteve. Navegar era preciso; água, vela, leme, corda, bússola, nada disso era preciso. Ao menos para Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ouvia lá embaixo o seu irmão mais velho, que lhe chamava e mandava ele descer dali. Dizia que não se pode navegar em ondas de rádio, porque as ondas do rádio não eram feitas de água. Eram apenas freqüências eletromagnéticas às quais convencionou-se chamar de ondas pelo formato que possuem quando desenhadas em gráficos para estudo. Não tinham nada a ver com ondas de verdade, das que tinham no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como uma interferência. O barco girava, fazia que ia parar, a vela murchava, mas Miguel continuava firme, e o barco seguia. O irmão sabia que não ia adiantar desligar o rádio, pois as ondas continuariam no ar, mesmo sem um aparelho que as recebesse. E ficava em terra firme gritando para Miguel descer, sem coragem de ir atrás do irmão: era contra as leis da física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Miguel fazia suas próprias leis da física, assim como fazia que não ouvia o irmão e deixava ele falando sozinho. Pegava uma estação que só tocava salsa e se mandava para o Caribe, navegava no ritmo quente da rumba e do tchá-tchá-tchá, tomava sol em praias paradisíacas, mergulhava num idioma estranho... Depois voltava pra casa, cheio de histórias de marinheiro, morto de cansaço, e ia dormir. E aí já nao precisava mais de canção de ninar nem nada, tinha tudo de cor e salteado, dançando em sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8411526812895586839?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8411526812895586839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8411526812895586839&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8411526812895586839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8411526812895586839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/05/nas-ondas-do-rdio.html' title='Nas Ondas do Rádio'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RkfTk9Ods4I/AAAAAAAAAIA/njkqWSvInSo/s72-c/no+ar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1083623504701491919</id><published>2007-05-10T17:33:00.000-03:00</published><updated>2007-05-10T17:34:56.168-03:00</updated><title type='text'>Microconto V - Longe Demais</title><content type='html'>No meio do deserto se arrependeu, outra vez, daquela loucura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1083623504701491919?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1083623504701491919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1083623504701491919&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1083623504701491919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1083623504701491919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/05/microconto-v-longe-demais.html' title='Microconto V - Longe Demais'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8773067738800019522</id><published>2007-05-06T23:24:00.000-03:00</published><updated>2007-05-06T23:44:56.542-03:00</updated><title type='text'>O Banco de Idéias</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rj6OJtOdsyI/AAAAAAAAAHE/n5zf-ugfUD0/s1600-h/o+banco.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rj6OJtOdsyI/AAAAAAAAAHE/n5zf-ugfUD0/s320/o+banco.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061639328621245218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Parte I - Velhos Amigos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O sol entra no quarto sem pedir licença. Me diz que esqueci de fechar a cortina ontem à noite. Um pouco de preguiça me impede de levantar, mas o suor incomoda e eu não consigo mais dormir. Dane-se. A essa altura não volto a dormir de qualquer jeito. Limito-me a ficar enrolando, na cama, antes de acordar, deixando os pensamentos desordenados fluírem sem rumo certo, passeando pelos caminhos que me trouxeram até aqui. Faz, tudo, tanto tempo... São fatos que não merecem nota nem lembrança, talvez exame; com exceção de um deles: o que está relacionado ao banco de idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este objeto, que entrou na minha vida acidentalmente, num momento de baixa, é um dos muitos capazes de pôr à prova os limites da sugestão. Afinal existem coisas entre a realidade e a imaginação que ainda nenhum lingüista foi capaz de nomear, e que só a sugestão é capaz de esclarecer minimamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava numa das piores fases de minha vida. Uma separação sem grande importância me afetou mais do que devia, me jogou no fundo do poço. Talvez fosse o presságio da espiral de infortúnio que viria pela frente. Desempregado, tive de voltar à casa da minha mãe; para ajudar a pagar as contas, aceitei uma ocupação que afastou de uma só vez o fantasma do desemprego e o meu amor próprio. Não tinha dinheiro para nada, mas tomava todos os dias uma dose de Gim no Alvitre’s antes de ir para casa. Para me ajudar a dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi numa dessas noites solitárias que me apareceu o Gonçalo, de terno branco e chapéu. Entrou no bar como se fosse um personagem de minissérie, saído de um outro tempo. Apressado, pediu uma dose de Campari e se sentou - por uma dessas coincidências que quase põem abaixo meu agnosticismo - do meu lado. Olhou em volta antes de dar o primeiro gole e me reconheceu de pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gonçalo havia sido meu colega nos primeiros semestres da faculdade. Nós costumávamos sair da aula e ir andando até a praia, onde conversávamos por longas horas. Enquanto durasse a garrafa de whisky. Eu não tenho grandes lembranças da faculdade, tinha poucos amigos, era introspectivo, chato. Gonçalo foi meu grande companheiro de turma até o dia em que largou o curso e sumiu no mundo. Ele dizia sempre que tinha nascido pra ser rico. Abandonou a carreira assim que percebeu que não chegaria a lugar nenhum. Tinha algum senso de planejamento, e com certeza um grande senso do que seria perda de tempo ou não. Eu era, ali, a prova viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apareceu naquela noite, quase irreconhecível. Muito mais gordo, de bigode e paletó de linho. Dava a impressão de estar muito bem, apesar da agitação. Esta, porém, vinha desde os tempos da faculdade. Gonçalo era quase hiperativo, não ficava quieto, falava sem parar e tinha um estoque interminável de idéias esdrúxulas, apesar de algumas espantarem mais por pertinentes. Devo admitir que aquela noite não estava com o espírito pronto para reencontrar antigos amigos, menos ainda os que haviam dado certo. E ouvia o Gonçalo sem empolgação enquanto ele me contava tudo o que lhe sucedera desde que nos perdemos de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha passado por mais três faculdades, ido e voltado da Europa, aberto meia dúzia de empresas fantásticas e falido a maior parte delas. Agora era o feliz proprietário de uma promissora granja na cidadezinha de Espigão. Enquanto narrava seu sucesso, fazia varias alusões a um objeto a que chamava “o banco”. Em certo momento consegui interrompê-lo e perguntar que banco era esse de que tanto falava.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rj6O_9OdszI/AAAAAAAAAHM/WXX_Tndl9qk/s1600-h/Banco+de+Ideias+Parte+I-3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rj6O_9OdszI/AAAAAAAAAHM/WXX_Tndl9qk/s320/Banco+de+Ideias+Parte+I-3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061640260629148466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Parte II - Um Futuro Brilhante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Foi aí que tudo começou. O Gonçalo já tinha tomado três doses de Campari em menos de meia hora de conversa e, no momento em que lhe perguntei do banco, ele fez sinal para que o garçom nos trouxesse mais duas doses de cachaça. A sua, tomou de um só trago antes de começar a falar. Contou, então, que o banco havia mudado sua vida. Atribuiu a ele a fabulosa idéia de criar galinhas, idéia que não é para qualquer um, veja bem, ele mesmo com tantas idéias fabulosas não a teria tido, jamais, sem ajuda de tal banco. Pois que na época brigou com a família toda. Os parentes teriam tentado impedir que enterrasse seu dinheiro em tal loucura, mas de nada adiantou. Estava decidido. Foi para o interior e investiu tudo - o que tinha e o que não tinha - na granja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Voilá! Agora estou muito bem, o povo da cidade me chama coronel. Não posso me dizer rico, pois ainda tenho alguns empréstimos a pagar, de negócios anteriores, mas do jeito que as coisas andam, em breve terei o suficiente para comprar o Acre. E riu muito de sua própria piada. Um riso alto e rouco que terminava em tosse. Enquanto isso, eu contemplava o fundo do copo de cachaça refletido sobre o balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi a melhor idéia que já me ocorreu, parceiro. Mas e você? Me conte de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa chegava finalmente no ponto que mais me incomodava. Minha história estava cheia das grandes aspirações e de um futuro promissor que começou a se desfazer em frente aos meus olhos logo que terminei a faculdade. As contas não pagas testemunhavam contra o mito de minha grande capacidade, tão sustentado por minha mãe em outros tempos, e derrubado sem misericórdia pelo fracasso em que me encontrava. As grandes idéias, fabulosas e criativas, que eu tive em minha vida ficavam vermelhas de vergonha diante da simplicidade de uma criação de galinhas. A verdade é que não consegui arrumar motivos suficientes para me convencer a não ir atrás do tal banco de idéias, quando Gonçalo insistiu para que eu fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O banco de idéias ficava numa cidadezinha chamada Espigão, a mesma da granja. A melhor forma de chegar lá era indo de carro até uma cidade próxima e pegando, de lá, um barco de carreira. Gonçalo tinha que ir resolver uns negócios naquele final de semana e me levou junto. No caminho me contou, entre outras coisas, a história do objeto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rj6QH9Ods0I/AAAAAAAAAHU/NtOE9L5p4_c/s1600-h/Banco+de+Ideias+Parte+II.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rj6QH9Ods0I/AAAAAAAAAHU/NtOE9L5p4_c/s320/Banco+de+Ideias+Parte+II.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061641497579729730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Parte III - As Idéias Vêm de Fora&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;O banco de idéias teria chegado a Espigão no início do século passado, trazido por um marinheiro americano. Não se sabia muito sobre a vida do marinheiro, só que chegou e alugou um quarto na pensão da cidade, deixando-se ficar por ali até a morte. Não tinha outra distração além do poker, que ensinou aos outros aposentados da cidade. Jogavam embaixo de uma amendoeira, na praça central, apostando grãos de feijão seco. Contava histórias duvidosas sobre seus feitos na guerra civil e atribuía sua criatividade ao tal banco, que jamais havia abandonado. Morreu sem aviso prévio, certamente de velhice, enquanto esperava a dona da pensão para lhe fazer o pagamento do mês. Ela o encontrou já frio, no momento em que chegava da feira de sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o marinheiro não tinha herdeiros, o banco passou a ser disputado por seus companheiros de poker e pela dona da pensão. A disputa causou um rebuliço tal na cidade que o prefeito teve de interferir, confiscando a peça, que passaria a fazer parte do tesouro municipal de Espigão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O banco de idéias ganhou este apelido a partir das histórias do marinheiro. Além dos grandes feitos que levaram à vitória yankee na guerra de secessão, ele atribuía ao objeto a origem de inúmeros inventos da modernidade: A locomotiva a vapor, a luz elétrica, o ferro de solda, a cidade de Las Vegas... A tradição continuou entre os cidadãos de Espigão que lhe atribuíam outras idéias ilustres como a fibra ótica e o plano real. Seus idealizadores teriam feito uma rápida e inspiradora visita à cidade poucos dias antes da divulgação dos inventos, o que podia ser comprovado no livro de visitas do museu do tesouro municipal, onde se encontra o banco de idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escutava estas histórias e me perguntava em silêncio o que estava fazendo ali. O Gonçalo intercalava a história do banco com a narração de suas intenções de comprar um jatinho ou helicóptero que o levasse direto à granja, sem precisar desse negócio de barco, atraso de vida. Dizia volta e meia que não gostava de ter amigo pobre. Amigo pobre só serve para pedir favor. Por isso me trazia ali, porque não queria mais um lhe pedindo favores. E ria muito de suas próprias piadas, e acabava se engasgando e tossindo. Sem dúvida um grande coração, o Gonçalo. Eu me consolava pensando que sair um pouco da cidade haveria de me fazer bem, que o mar me ajudaria a recuperar a serenidade, e que a gente tem de fazer alguma arbitrariedade de vez em quando, para não morrer de depressão antes dos quarenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espigão tinha uma igreja mal pintada com a frente virada para o rio. Atrás dela, uma rua pavimentada que cortava a cidade e terminava na rodovia estadual, interditada desde que qualquer um ali pudesse se lembrar. As ruas transversais eram de barro com umas casinhas todas iguais coladas umas nas outras. Algumas sem reboco, algumas de sapê. Por entre as poças d’água, brincavam crianças descalças e barrigudas. Um ou outro cachorro se espreguiçava na porta das casas. À medida que íamos passando as pessoas saiam na janela para olhar. No centro da cidade havia uma praça onde ficava a prefeitura – único prédio com a pintura em dia - e o museu do tesouro municipal. Nessa praça pude reconhecer a pensão onde o marinheiro americano dormia, e à frente uma amendoeira debaixo da qual velhos jogavam dominó em silêncio, com o tabuleiro sobre as pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo me pareceu muito pobre, muito silencioso e perdido.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rj6RgNOds1I/AAAAAAAAAHc/6OnSeusrSWs/s1600-h/Banco%2B3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rj6RgNOds1I/AAAAAAAAAHc/6OnSeusrSWs/s320/Banco%2B3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061643013703185234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Parte IV - O Banco de Idéias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;Em lugar algum reconhecia o Eldorado da criatividade em que o banco de idéias deveria ter transformado aquele lugarejo. Por que viviam todos nessa pobreza se tinham em mãos a ferramenta de sua transformação? O Gonçalo parecia não notar o meu desconforto e seguia falando de suas histórias e dando risadas altas que acabavam numa tosse seca e irritante. Me conduzia para o museu do tesouro, onde eu deveria sentar no banco e ficar ali durante o tempo que desejasse. Não precisava ter pressa, dizia, além do que ele tinha alguns assuntos a tratar na granja e voltaria pra me buscar no final da tarde. Então pegaríamos juntos o barco de volta. Mas até lá eu já seria um novo homem. Iria embora carregando o germe da mudança, o mais precioso dos bens, que é a idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que finalmente chegava ao maravilhoso banco de idéias, objeto de minha jornada. Era uma peça antiga, com o estofado de veludo vermelho desbotado como se tivesse tomado muito sol e a madeira escura pedindo uma demão de verniz. Apesar disso, era uma cadeira bonita, no estilo clássico. Via-se que em outros tempos teria sido bastante confortável. Antes de terem-lhe apodrecido as molas e o pano, antes de a madeira, ressecada, ter perdido a flexibilidade. Na parte de baixo, tinham lhe colocado uma urna de madeira barata que contrastava muito com a original. A urna era trancada por um cadeado e possuía uma fenda no alto por onde o dinheiro deveria entrar. Pensei que esse deveria ser o motivo de ser chamado “banco” de idéias, apesar de que já esperava uma taxa de manutenção para quem desejasse sentar. Mesmo assim, fiquei surpreso quando um rapaz veio me cobrar os R$ 87,40. Naquele momento, porém, já estava bambo de sono e paguei sem protestar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que enquanto observava aquele objeto estranho, fui acometido por uma incrível vontade de me sentar, como se minhas pernas perdessem a força. Uma fadiga mental que chegava a me dar tontura e excedia em muito o natural cansaço da viagem. Senti uma vertigem, como se fosse desmaiar. A idéia de que não deveria ter pago aquele absurdo cortou minha mente por um segundo antes que eu adormecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caí em sono profundo. Sonhei a princípio que o Gonçalo começava a crescer e crescer e que engolia a cidade de Espigão e depois ficava vermelho e explodia. Sonhei que escrevia uma carta para a minha mãe pedindo ajuda e era censurado pelo Gonçalo que apontava para as idéias que caiam do céu. E elas caiam aos montes, todas escritas em pedacinhos de papel picotado cor de laranja. Eu tentava, em vão, segurar uma que fosse, mas elas escorriam por entre meus dedos e se amontoavam no chão antes de derreter e melar tudo. Sonhei mais uma dúzia de sandices que poderiam de fato ser interpretadas como grandes idéias que me fizessem rico, ou que simplesmente mudassem os rumos de minha vida. E quando acordei daquele torpor, na cama de minha casa, já tinha se passado tanto tempo que eu nem lembrava mais qual delas fora eleita. Nem se havia dado realmente certo. Ponderando a esse respeito, agora, acho que sim. Que no fim das contas não só o banco, mas cada pedra em que eu pisei naquela viagem e ao longo de minha vida toda contribuiu, de alguma forma, para que eu acordasse agora, com o sol na minha cara, sem poder mais dormir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8773067738800019522?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8773067738800019522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8773067738800019522&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8773067738800019522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8773067738800019522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/05/o-banco-de-idias.html' title='O Banco de Idéias'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rj6OJtOdsyI/AAAAAAAAAHE/n5zf-ugfUD0/s72-c/o+banco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8813819232182717237</id><published>2007-05-03T18:06:00.000-03:00</published><updated>2007-05-03T18:18:34.730-03:00</updated><title type='text'>Microconto IV - Realidades</title><content type='html'>Sua vida era um sonho. Quase perfeita. Lamentava apenas ter de sonhar, toda noite, com a realidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8813819232182717237?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8813819232182717237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8813819232182717237&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8813819232182717237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8813819232182717237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/05/importncia-dos-sonhos.html' title='Microconto IV - Realidades'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-6623365923818425297</id><published>2007-04-26T15:23:00.000-03:00</published><updated>2007-04-26T15:25:35.815-03:00</updated><title type='text'>Microconto III - Da relatividade</title><content type='html'>O burro ia lá adiante. O esperto dormia debaixo da árvore.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-6623365923818425297?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/6623365923818425297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=6623365923818425297&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6623365923818425297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/6623365923818425297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/04/microconto-iii-da-relatividade.html' title='Microconto III - Da relatividade'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-3497338710412575133</id><published>2007-04-19T10:12:00.000-03:00</published><updated>2007-04-19T10:14:27.873-03:00</updated><title type='text'>Microconto II - Para qualquer lugar.</title><content type='html'>Se no Brasil tivesse trem - pensou - mudava de vida num instante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-3497338710412575133?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/3497338710412575133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=3497338710412575133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3497338710412575133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/3497338710412575133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/04/microconto-ii-para-qualquer-lugar.html' title='Microconto II - Para qualquer lugar.'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2532842053830366080</id><published>2007-04-12T13:26:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T13:30:15.807-03:00</updated><title type='text'>Microconto I - Vive la révolution!</title><content type='html'>A revolução teve inicio. Mas não estava certa. Resistiriam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2532842053830366080?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2532842053830366080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2532842053830366080&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2532842053830366080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2532842053830366080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/04/microconto-i-vive-la-rvolution.html' title='Microconto I - Vive la révolution!'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-2451201950820540346</id><published>2007-04-08T01:59:00.000-03:00</published><updated>2007-04-08T02:04:45.350-03:00</updated><title type='text'>Olhos estrangeiros</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rhh3ztTcq9I/AAAAAAAAACI/LzY2SZK1PHw/s1600-h/Escape.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rhh3ztTcq9I/AAAAAAAAACI/LzY2SZK1PHw/s320/Escape.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5050918712314211282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Alguém me segue. Desde que saio de casa, pela rua, alguém me persegue. No trabalho, alguém me olha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São olhos estranhos e apontam pra fora. Mas eu não sei pra onde. Estou preso ao computador, ao assento do ônibus, aos óculos de grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém me persegue, me olha, me observa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu me escondo embaixo de grossas cobertas, e fico na cama o dia inteiro.  E não saio até que me ache o perseguidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, que seja logo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-2451201950820540346?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/2451201950820540346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=2451201950820540346&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2451201950820540346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/2451201950820540346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/04/olhos-estrangeiros.html' title='Olhos estrangeiros'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rhh3ztTcq9I/AAAAAAAAACI/LzY2SZK1PHw/s72-c/Escape.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8665969007527264045</id><published>2007-04-01T22:04:00.000-03:00</published><updated>2007-04-01T22:08:57.508-03:00</updated><title type='text'>Olho da Serra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RhBXEHxBX2I/AAAAAAAAAB0/EPcRN99UcJ4/s1600-h/olho+da+serra02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RhBXEHxBX2I/AAAAAAAAAB0/EPcRN99UcJ4/s320/olho+da+serra02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5048630910598078306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os boatos envolvendo Olho da Serra foram todos espalhados por seus próprios habitantes, não se sabe se com o intuito de fazer com que a cidade fosse lembrada ou esquecida pelo resto do mundo. De qualquer forma, eles acabam servindo um pouco para as duas coisas. Tanto fazem com que as pessoas falem cada vez mais das histórias de Olho da Serra, quanto que tomem-na por lugar incerto e misterioso; e poucos são os que chegam, hoje em dia, a ir ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última das histórias que correu pela região, foi a de que Olho da Serra seria invenção de trovador e nunca teria existido de verdade. Instalaram-se, então, discussões intermináveis pelos botecos e feiras da redondeza. Ao que alguns juravam de pé junto haver, em outros tempos, visitado a cidade e até testemunhado vários dos casos místicos que ali se passaram, outros tomavam-nos por contadores de histórias sem o menor crédito, e o debate não se encerrava nunca, e ninguém saía convencido de coisa nenhuma. Mas o mais interessante sobre esse boato é que ele não foi inventado pelos moradores de Olho da Serra. Ao menos não no sentido lato da palavra inventar. Eles realmente acreditavam nisso, que a cidade onde moravam não existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cidade é realmente um termo muito grande para descrever aquele povoadinho escondido no alto da Serra, mas não é aí que o problema reside. O que se passou foi que o lajedo sobre o qual se construiu a cidade começou, não se sabe por que estranho processo físico, a refletir a luz. A princípio bem pouquinho, e com o tempo cada vez mais, chegando o chão de Olho da Serra a parecer um grande espelho polido que refletia o céu. Os moradores entenderam aquele fenômeno como um desaparecimento gradual da cidade e começaram a espalhar por aí que esta não existia mais. O hábito de fazer circular boatos fez com que alguns espalhassem um pouco mais, que a cidade nunca haveria existido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o visitante que chega, hoje, a Olho da Serra toma um susto. Com o céu todo refletido no chão, parece andar sobre si mesmo, deslizando no vazio do espaço. Qualquer empurrãozinho poderia derrubá-lo no infinito, e até que se acostume, mal consegue tirar os pés do chão. Houve alguns casos de pessoas que se recusaram a entrar na cidade com medo de cair, sem acreditar no que os olhos viam. E um homem apressado entrou certa vez, correndo, na cidade e só foi perceber lá adiante que tinha o céu nos pés. Tamanho foi o susto que ele enfartou e caiu morto na hora, sem mais urgências, nem compromissos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os habitantes de Olho da Serra, acabaram por se acostumar com o fato. E tiveram tempo o suficiente pra isso, já que o chão não virou espelho do dia para a noite. Hoje em dia, quando anoitece, eles se deitam todos do lado de fora das casas, e ficam soltos no espaço contemplando as estrelas de um céu que já não sabem mais onde começa e nem onde termina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8665969007527264045?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8665969007527264045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8665969007527264045&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8665969007527264045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8665969007527264045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/04/olho-da-serra.html' title='Olho da Serra'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RhBXEHxBX2I/AAAAAAAAAB0/EPcRN99UcJ4/s72-c/olho+da+serra02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1385916262214666550</id><published>2007-03-26T02:11:00.000-03:00</published><updated>2007-03-27T17:45:30.045-03:00</updated><title type='text'>Sonhos que eu gostaria de ter tido</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RgdWPbM6GlI/AAAAAAAAABo/CeSdrE_ii1I/s1600-h/sonhos+que+queria.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RgdWPbM6GlI/AAAAAAAAABo/CeSdrE_ii1I/s320/sonhos+que+queria.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046096730491853394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E um dia eu sonhei que voava. Que subia no alto de um prédio e dava um mergulho no vazio. Meu paletó se transformava numa grande asa de pano que ligava os meus pulsos à minha cintura. Meus ossos eram leves e o ar empurrava o meu corpo pro alto. Uma sensação incrível, como se a aerodinâmica tivesse sempre estado ali, esperando que eu a descobrisse. Eu pensava comigo mesmo que as aves é que estavam certas e achava tudo ótimo, tudo muito natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vento no meu rosto, frio nos meus pés. Enquanto passo pelos edifícios, percebo que a cidade é cheia de recantos escondidos. Alguns prédios enormes abrigam, em seus quintais, verdadeiras florestas. São grandes áreas verdes com rios, lagos, mata densa e animais silvestres. Penso por um momento se isso não seria proibido, mas logo tudo se torna claro em minha memória. É a nova tendência das empresas de se preocuparem com o sono dos funcionários nos horários de almoço. E, observando com atenção, vejo mesmo uns índios montando redes entre as árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses "quintais" é tão grande, tão bonito e tem um lago tão azul, que eu resolvo dar um rasante. Inclino a cabeça para baixo e dobro as pernas suavemente. O mergulho, porém, é abrupto. Eu atinjo, numa fração de segundos, uma velocidade tão alta que mal posso me mexer. Reverter o mergulho é impossível. Eu quero voar, subir, frear. O chão se aproxima, meus pés estão frios, pânico! Em seguida é a vertigem e o baque. A água é dura e mole, e é o meu colchão. Volto do mergulho num pulo sobressaltado. Tudo escuro no quarto, meu coração disparado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado o relato ela me olha e pergunta mais alguns detalhes do sonho. Eu me enrolo um pouco pra responder e ela me diz que eu preciso sair. Que eu me sinto sufocado, que preciso de liberdade e outra dúzia de coisas a meu respeito que eu já sei de cor. Mas eu me sinto bem em ouvir isso de uma profissional. Quem sabe assim eu não saio da cidade um dia desses. Ela me diz que eu preciso de experiências reais, de matéria-prima pros meus sonhos. Mas que, no entanto, minha imaginação é muito fértil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque você não escreve essas coisas? Pergunta ela muito séria.&lt;br /&gt;- Não sei, não tinha pensado nisso. Respondo, um tanto encabulado.&lt;br /&gt;- Pode ser que ajude no tratamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos despedimos, até semana que vem, e eu deixo sua sala, no 28º andar. Enquanto espero o elevador começo a me imaginar escritor. "Sonhos que eu gostaria de ter tido" poderia ser o título do meu livro. Taí, "sonhos que eu gostaria de ter tido"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Ilustração &lt;a href="http://rafasamurai.deviantart.com/"&gt;Rafael Borges&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1385916262214666550?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1385916262214666550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1385916262214666550&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1385916262214666550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1385916262214666550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/03/sonhos-que-eu-gostaria-de-ter-tido.html' title='Sonhos que eu gostaria de ter tido'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RgdWPbM6GlI/AAAAAAAAABo/CeSdrE_ii1I/s72-c/sonhos+que+queria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1663545490961270630</id><published>2007-03-18T18:05:00.000-03:00</published><updated>2007-03-22T13:57:37.206-03:00</updated><title type='text'>A andada dos caranguejos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rf2p_bLGD5I/AAAAAAAAABg/f5hjB262Hjk/s1600-h/Carangueijo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rf2p_bLGD5I/AAAAAAAAABg/f5hjB262Hjk/s320/Carangueijo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043374064815968146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Talvez seja o sal, talvez seja a lama, mas o fato é que os caranguejos têm, mesmo, a memória fraca. Poucos deles são capazes de lembrar o que fizeram no dia anterior e, muito menos, o que fizeram um ano atrás. Volta e meia, é possível encontrar um Aratu em suas tocas a lhes contar as mesmas coisas, repetidas vezes; e eles a ouvirem tudo com a atenção e o interesse de quem ouve uma grande novidade, em primeiríssima mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dia destes, o Aratu contou aos caranguejos uma noticia que se passava fora do manguezal, numa praia próxima. Toda a família de caranguejos ouviu, bastante interessada, à sua história mas logo que ele saiu começaram a esquecer o assunto. Um caranguejinho mais atento perguntou ao pai se o mundo era muito grande. Este olhou em volta e, vendo somente o mangue e nada mais, respondeu que não, que o mundo era aquilo ali que ele estava vendo. Um Siri que estava de passagem ouviu aquilo e ficou tão irritado com a ignorância do caranguejo que não pôde deixar de se intrometer na conversa: "Ora mais que falta de cultura!" Reclamou ele, com o papai caranguejo. O mundo é muito maior que o que todas as nossas cabeças juntas possam imaginar. O mundo não tem fim! Eu mesmo estou indo agora visitar um primo que mora na praia, depois do mangue. De lá da praia é possível ver a mata de um lado e o mar do outro. Somente o mar é tão grande que vai até onde a vista alcança, e dizem que quanto mais você nada atrás do seu fim, mais longe ele vai ficando. Ora! Vocês deveriam se mexer um dia desses, andar por aí, ampliar os horizontes, sair desse mundinho limitado. Não faz bem a ninguém ficar sempre no mesmo lugar, vendo todo dia as mesmas coisas e achando que a vida é só isso! Não me admira que se esqueçam de tudo, já que nunca fazem nada digno de lembrança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado o discurso o Siri seguiu seu caminho em direção ao mar, onde visitaria o seu primo Siri-branco. Mas deixou, no caranguejo, uma pontinha de inveja. Como falava bem esse siri, como conhecia o mundo e suas histórias, e eu aqui sem nunca sair do lugar, achando que o mundo é só isso. Sem saber nem mesmo responder às perguntas do meu filho. Aquilo não estava certo, e ele decidiu fazer algo a respeito. Não demorou muito e lá foi ele ter com os outros caranguejos do mangue. Repetiu-lhes o que se lembrava da fala do siri, contou sobre a imensidão do mar sem fim, falou sobre como seria importante, inclusive para a formação cultural dos caranguejinhos conhecer outras realidades, ver um pouco do que existe lá fora... Os outros ouviam abismados àquele discurso. Todos pensavam o mesmo, que o mundo era o que estava diante dos seus olhos e pronto. Alguns, inclusive, tomaram por sandice toda aquela falação, e foram para suas tocas, ouvir as velhas novidades dos Aratus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte, porém, se entusiasmou e saiu em marcha para além dos limites do mangue. Seguindo rio abaixo, a primeira surpresa foi com o tamanho do próprio manguezal e do rio, que iam muito além da área pela qual eles costumavam se movimentar. Qual não foi sua surpresa quando, finalmente, alcançaram o mar. Era de fato muito maior que eles podiam compreender. Alguns se emocionaram, outros tremeram de medo diante de algo tão grandioso. E, assim, eles conheceram uma porção de coisas novas: Siris brancos de praia, os Grauçás que moravam na areia, os pequeninos vaza-marés, que tinham a boca maior que o corpo. Foram na floresta ver os Gaiamuns subindo as árvores e se descobriram primos próximos. Imaginaram que o mundo deveria estar, ainda, cheio de coisas a conhecer e ficavam olhando para o céu, abobalhados com as núvens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andaram pelo mundo durante um bom tempo até conseguirem encontrar o caminho de volta pra casa. Chegaram no mangue cheios de histórias, de novidades, cultura... Mas o tempo vai passando; e não se sabe se é o sal, se é a lama, mas o fato é que os caranguejos têm, mesmo, a memória fraca. E todos os Aratus do mangue conheciam a habitual andada dos caranguejos, que saíam todo ano para conhecer o mundo do qual já não se lembravam mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Ilustração &lt;a href="http://rafasamurai.deviantart.com/"&gt;Rafael Borges&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1663545490961270630?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1663545490961270630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1663545490961270630&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1663545490961270630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1663545490961270630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/03/andada-dos-carangueijos.html' title='A andada dos caranguejos'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rf2p_bLGD5I/AAAAAAAAABg/f5hjB262Hjk/s72-c/Carangueijo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-9118834715152155882</id><published>2007-03-11T12:49:00.000-03:00</published><updated>2007-03-11T12:56:10.516-03:00</updated><title type='text'>A melhor companhia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RfQl1w8pVJI/AAAAAAAAABY/OuHg7JxV7yM/s1600-h/crian%C3%A7a+e+a+morte.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RfQl1w8pVJI/AAAAAAAAABY/OuHg7JxV7yM/s320/crian%C3%A7a+e+a+morte.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040695488536990866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sempre que eu subia uma montanha, vinha alguém me dizer: menino, desce daí que você cai e morre! Acho que pra me meter medo. Mas eu não tinha medo da morte. Andava de mãos dadas com ela, a escolhia como companheira favorita de brincadeiras. Seguia por entre os penhascos, os pântanos, as cavernas; a morte ao meu lado, a me incentivar quando eu precisava, me carregando, por vezes, no colo. Os adultos me dizendo que eu podia morrer e eu pensando que de nada valeria a vida inteira sem conhecer a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que fui crescendo, me aproximei, cada vez mais, dela. Ela vinha junto com cada idéia, como um contrapeso: a companhia perfeita me oferecendo o mundo. Me contou certa vez que foi parte integrante de cada aventura vivida. Esteve em todas as grande conquistas, integrou os maiores exércitos, estimulou a procura dos grandes tesouros perdidos, ajudou a calcular todas as missões, jamais houve uma aventura sem sua presença. E eu lhe pedia mais. Queria ir mais longe, mais alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voei junto às estrelas, me queimei nas brasas do sol, caí inúmeras vezes. A morte me estendia a mão, eu me levantava e seguia em frente. Tantos objetivos a vencer, a vida pela frente me parecia um desafio a superar. Eu queria viver mais, e a única que pôde me ajudar foi a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Ilustração &lt;a href="http://rafasamurai.deviantart.com/"&gt;Rafael Borges&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-9118834715152155882?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/9118834715152155882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=9118834715152155882&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/9118834715152155882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/9118834715152155882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/03/melhor-companhia.html' title='A melhor companhia'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RfQl1w8pVJI/AAAAAAAAABY/OuHg7JxV7yM/s72-c/crian%C3%A7a+e+a+morte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-4247846904492919257</id><published>2007-03-04T03:53:00.000-03:00</published><updated>2007-03-04T03:57:57.986-03:00</updated><title type='text'>O mundo nas costas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/ReptCeDnCRI/AAAAAAAAABM/mUTUW985kvo/s1600-h/josias+e+o+mundo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/ReptCeDnCRI/AAAAAAAAABM/mUTUW985kvo/s320/josias+e+o+mundo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5037959022362691858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Josias carregava o mundo nas costas. O que era um tanto inconveniente, já que o mundo era muito maior que Josias. Mas onde quer que ele fosse, ia curvado, levando aquela imensa bola azul apoiada em seus ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, um amigo lhe perguntou porque não colocava o mundo no chão de vez em quando, para descansar. Josias respondeu que o mundo não podia andar sozinho e que ele teria de leva-lo às costas ainda por um bom tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim seguia Josias, curvado, com o mundo nas costas e o olhar perdido, triste, apontando para o chão. Até que um dia o mundo caiu e foi rolando e entrou num buraco de golf. Josias não percebeu. Continuou curvado, o olhar vago, triste, apontando pro chão. E o que é mais interessante:  continuou sentindo o peso do mundo nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-size:85%;" &gt;Ilustração &lt;a href="http://rafasamurai.deviantart.com/"&gt;Rafael Borges&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-4247846904492919257?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/4247846904492919257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=4247846904492919257&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4247846904492919257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4247846904492919257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/03/o-mundo-nas-costas.html' title='O mundo nas costas'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/ReptCeDnCRI/AAAAAAAAABM/mUTUW985kvo/s72-c/josias+e+o+mundo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-5933412687031626437</id><published>2007-02-26T10:47:00.000-03:00</published><updated>2007-02-26T11:40:01.810-03:00</updated><title type='text'>O homenzinho verde</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/ReLl3XVRAEI/AAAAAAAAABA/5jvkS0K5rOM/s1600-h/barconareia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/ReLl3XVRAEI/AAAAAAAAABA/5jvkS0K5rOM/s320/barconareia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5035840072672411714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nas águas mansas da baía, vai entrando um naviozinho. Desses navios pequenos e fortes que se usa pra puxar outros navios enormes ou plataformas de petróleo. É chamado de rebocador, e, apesar de sua força, vai navegando silencioso e tranqüilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta o espelho d’água com velocidade e levanta ondas à sua frente que vão deslizar até bater na praia, já bem menores. Nessas ondas que vão à frente do rebocador e que mais se parecem com um bigode a dar-lhe o ar de respeito e seriedade dos mais velhos, vai um homenzinho verde. Ele vai surfando à frente do rebocador para mostrar o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É um Gnomo?”, perguntam uns, “É um Duende?”, perguntam outros. Não. E nem se trata de alguma entidade mística ou pouco provável. É somente um homenzinho verde surfando à frente do rebocador que entra na baía.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-5933412687031626437?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/5933412687031626437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=5933412687031626437&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/5933412687031626437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/5933412687031626437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/02/o-homenzinho-verde.html' title='O homenzinho verde'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/ReLl3XVRAEI/AAAAAAAAABA/5jvkS0K5rOM/s72-c/barconareia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-4987505146058666666</id><published>2007-02-17T12:12:00.000-03:00</published><updated>2007-02-26T18:13:40.190-03:00</updated><title type='text'>Oreste</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RdceYKXYWjI/AAAAAAAAAA0/q59xg1IjMfo/s1600-h/counter.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RdceYKXYWjI/AAAAAAAAAA0/q59xg1IjMfo/s320/counter.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032524509057931826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tshhhhhhhhh. Mais um vazamento! Pensou Oreste já impaciente enquanto se mexia por entre o emaranhado de botijões e tubos que havia se tornado seu quarto. Tinha de tapar mais este e verificar a pressão dos tanques para que não explodissem. Com um alívio passageiro, constatou que o garrafão de aço fundido agüentaria mais um pouco até que chegasse o próximo reservatório, encomendado por ele no exterior para conter a crescente ameaça invisível que destruía o seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oreste morava sozinho em um quarto perfeitamente quadrado, com paredes brancas e uma janela transversal sempre fechada por causa do ar-condicionado e do barulho da rua. Este quarto tinha sido, um dia, bastante aconchegante para os padrões de Oreste. Antes de se transformar no inferno de tubos e garrafas de ferro que empurravam-no cada vez mais em direção à parede e tornavam difícil mesmo o entrar e sair do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo começou num dia impreciso, esquecido devido à pouca importância aparentada à época de seu acontecimento. Oreste estava sossegado, com a janela fechada como de costume e o ar-condicionado ligado de forma que não tivesse interferências de fora enquanto lia, deitado na cama, uma revista americana. De repente, um barulho lhe chamou a atenção, seguido de um cheiro desagradável que lhe pareceu venenoso. Era um buraquinho na parede junto à porta, no lado oposto ao da janela. Verificou com certo desagrado que se tratava de um vazamento de gás, mas não se preocupou. Tapou o buraco com um esparadrapo e voltou à sua leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato o esparadrapo resolveu o problema por um tempo, mas não em definitivo, de forma que Oreste foi novamente surpreendido pelo vazamento de gás no momento mais inoportuno: durante o sono. Acordou quase asfixiado com o cheiro de gás e teve que desligar o ar-condicionado e abrir a janela para dissipar o veneno enquanto verificava com irritação que o buraco havia aumentado devido à pressão e o esparadrapo não dava mais conta. Ainda embreagado do sono interrompido, protelou outra vez a solução do problema, colocando no buraco uma bexiga inflável que encontrou na gaveta. Colou-a com o esparadrapo em volta do buraquinho e voltou a dormir. Mais uma vez esqueceu o problema, que só voltou a incomodá-lo no dia em que se deu conta de que a bexiga estava prestes a estourar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oreste tapou o buraco, que aumentava a cada dia, com mais uma e mais outra, e mais outra bexiga, até que já eram cinco, cheias e prestes a estourar. Era o momento de tomar uma decisão. A situação estava começando a incomodá-lo a sério. Além de ocupar espaço e enfeiar a parede, aquelas bexigas corriam o risco de estourar a qualquer momento e asfixiá-lo com o montante de veneno que, na época, já armazenavam. Mas Oreste andava ocupado demais com assuntos muito mais importantes que aquele vazamentozinho infame e resolveu, rapidamente, que ligaria uma mangueira do buraco a um botijão de gás vazio para que fosse enchendo aos poucos. Ocupava menos espaço que todas aquelas bexigas cheias, poderia guardar muito mais gás além de ser mais resistente e seguro. Ficou satisfeito com sua decisão, certo de que o problema não voltaria a incomodar tão cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir deste momento a história de Oreste se torna repetitiva e desinteressante, visto que é velha conhecida de todos nós, repetida a toda hora em qualquer esfera social. Sempre adiando a solução do problema e tomando medidas de ultima hora a reboque dos acontecimentos, visando resolver tudo no curto prazo sem ter de se ocupar das coisas de forma mais ampla e profunda, Oreste foi ampliando seu reservatório ao longo dos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquele vazamentozinho persistiu com a paciência própria das coisas medíocres. Com a certeza de estar à margem de qualquer prioridade por ser demasiado infame. E foi ganhando espaço e se tornando cada vez maior, até se tornar grande o suficiente para transformar o quarto de Oreste num imenso reservatório, cheio de garrafas e botijões que tentavam conter a sua investida silenciosa a ferro fundido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já não havia mais espaço para Oreste em seu próprio quarto, ele teve de se mudar para a cozinha, lugar onde não pisava havia anos. E, logo na primeira noite que passou alí, dormindo sentado numa cadeira dura encostada na parede, acordou sobressaltado por um pesadelo e deu com a cabeça na prateleira. Com um grito de dor verificou que sangrava e se levantou para buscar, na dispensa, um curativo. Era um mundo desconhecido para ele, as entranhas de sua própria casa. Para sua surpresa, não encontrou a gaze e nem a água oxigenada que procurava, mas ao lado do material de limpeza, Quatro registros redondos de ferro pintado de amarelo. Num deles estava escrito "gás".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi como uma segunda porrada na cabeça. Já que o registro estava aberto, ele só precisava fechá-lo com a mão. Seguiram-se instantes de indecisão. Oreste pensava no que seria depois, o que fazer com tanto gás guardado a tanto tempo em seu quarto de dormir. Mas antes que pudesse tomar qualquer decisão, um clarão tomou-a por ele. E ele soube nos eternos instantes que separam a vida da morte que agora era tarde demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-4987505146058666666?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/4987505146058666666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=4987505146058666666&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4987505146058666666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4987505146058666666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/02/oreste.html' title='Oreste'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RdceYKXYWjI/AAAAAAAAAA0/q59xg1IjMfo/s72-c/counter.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-8001031433441296379</id><published>2007-02-10T19:29:00.000-03:00</published><updated>2007-02-26T18:08:36.247-03:00</updated><title type='text'>Carta de suicídio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rc5Mx6XYWiI/AAAAAAAAAAo/vNb1kQV9odg/s1600-h/paper+burn.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rc5Mx6XYWiI/AAAAAAAAAAo/vNb1kQV9odg/s320/paper+burn.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030042254184045090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não deixo a ninguém a interpretação de minha vida. E aos que me dizem que o homem alcança a imortalidade através da memória de seus atos notáveis, respondo com a minha morte. Morro para toda a eternidade e levo comigo tudo o que fiz. Que queimem os meus livros! Raguem minhas fotos! Que apaguem do mundo as marcas de meus passos! Não quero sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se através de seus atos sobrevive o homem, esse deve ser, então, o grande castigo por seus crimes. O purgatório, onde se vive através dos outros, sem controle de seus proprios atos, com suas palavras travestidas pela ideologia alheia e seus gestos utilizados sem acordo com seus princípios. Uma marionete nas mãos de seus inimigos até que finalmente caia no esquecimento. Meus crimes eu prefiro pagar no fogo do inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não viveu Cristo através dos padres que se aproveitaram de sua memória para pilhar, matar, e enriquecer-se. Destruindo civilizações inteiras em face da necessidade de lhes levar a palavra de deus. E nem viveu Lênin, lider da revolução popular mais importante da história recente, através do gigantesco mausoléu que impôs Stalin à sua memória, nem da utilização de seu nome com o fim de validar um regime militarista e autoritário. Assim não viverei eu, tampouco, através da  mediação ativa da memória alheia. A fazer de mim bom, ruim, arrogante, humilde, forte ou fraco. A me reinventar de acordo com o que convenha a seus nefastos interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morro e levo junto a minha liberdade, condição essencial para que eu esteja vivo. A essencia fundamental de minha vida, levo-a comigo para o túmulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-8001031433441296379?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/8001031433441296379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=8001031433441296379&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8001031433441296379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/8001031433441296379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/02/carta-de-suicdio.html' title='Carta de suicídio'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rc5Mx6XYWiI/AAAAAAAAAAo/vNb1kQV9odg/s72-c/paper+burn.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-4112577692604331246</id><published>2007-02-04T21:04:00.000-03:00</published><updated>2007-02-04T21:09:06.360-03:00</updated><title type='text'>A próxima estação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RcZ1KQRILqI/AAAAAAAAAAc/tyAKOI8lIf8/s1600-h/rio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RcZ1KQRILqI/AAAAAAAAAAc/tyAKOI8lIf8/s320/rio.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5027834853031685794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A viagem seguia calma e silênciosa. Ele, afundado num livro de história , ela, imersa em pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se olhassem pelas janelas do trem, veriam o tempo se derretendo em frente aos seus olhos e escorrendo feito um rio sem fim em direção ao futuro. Um rio imenso e caudaloso. Afinal o tempo não começa e nem termina, e nele estão fundidas todas as emoções e memórias do mundo, formando caldo grosso e radiante. São mil cores, as que compõem o tempo. E caso se preste bastante atenção, é possível reconhecer um fato ou outro que ainda não se dissolveu completamente e bóia feito gelo em água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As viagens para o futuro são muito mais rápidas que as viagens ao passado, por causa da resistência da correnteza. E quem estiver atento pode perceber rapidamente se está indo para a Frente ou para trás. Mas eles já haviam feito essa viagem inúmeras vezes e nesse momento estavam mais preocupados com seus reespectivos botões. Ele tentava lembrar em que ano morreu o último rei da frança, ela se perguntava quando nasceria seu primeiro neto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-4112577692604331246?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/4112577692604331246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=4112577692604331246&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4112577692604331246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/4112577692604331246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/02/prxima-estao.html' title='A próxima estação'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/RcZ1KQRILqI/AAAAAAAAAAc/tyAKOI8lIf8/s72-c/rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-1754943443155250761</id><published>2007-01-29T11:36:00.000-03:00</published><updated>2007-01-29T11:54:09.874-03:00</updated><title type='text'>Vaza-maré</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rb4JuxuBydI/AAAAAAAAAAQ/PTw12ttJcLE/s1600-h/07.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rb4JuxuBydI/AAAAAAAAAAQ/PTw12ttJcLE/s320/07.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5025464933417077202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;- Pai, porque o mar desce e sobe?&lt;br /&gt;- Porque se ele ficar parado, ele vai se chatear.&lt;br /&gt;- E se um dia ele descer todo?&lt;br /&gt;- A gente vai ter que andar um bocado pra poder tomar banho de mar.&lt;br /&gt;- E se ele subir todo?&lt;br /&gt;- A gente vai ter de aprender a nadar como os peixes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-1754943443155250761?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/1754943443155250761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=1754943443155250761&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1754943443155250761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/1754943443155250761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/01/vaza-mar.html' title='Vaza-maré'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eLm7wqpA8jM/Rb4JuxuBydI/AAAAAAAAAAQ/PTw12ttJcLE/s72-c/07.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-116942383068369079</id><published>2007-01-21T20:48:00.000-03:00</published><updated>2007-01-24T14:47:22.110-03:00</updated><title type='text'>Entre umas e outras</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/1600/832036/153136_8059.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/320/419805/153136_8059.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como todo homem, eu um dia quis ser igual ao meu pai. Quis imitá-lo na profissão, nas atitudes, nos gostos, nas expressões, até mesmo independência. Daí surgiram, inclusive os primeiros conflitos lá em casa. Assim como ele não se submetia a ninguém, eu também não me submeteria. Nem mesmo a ele! Esse conflito não durou muito, dado o fato de que eu não tinha dinheiro no bolso e nem vocação pra hippie. A cabeça baixou e a garganta também. Ao mesmo tempo, o mito do super-herói foi caindo. O pai não era mais o modelo que eu buscava alcançar e sim o modelo do que eu, irremediavelmente, me tornaria. Quisesse eu, ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia citar diversos fatores que me levaram a essa conclusão. Mas vou me ater a um deles, que se passou recentemente. Foi o fenômeno da barriguinha de chopp. Esta fez sempre parte da figura do meu pai que chegava ao ponto de, na falta de uma mesa, apoiar o copo de whisky na barriga. Pois, ela aterrissou no meu corpo espontâneamente, de um dia para o outro, e foi saudada pelos amigos com grande alegria. Era um marco da chegada da vida adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esse o meu orgulho inicial. Eu era agora o feliz proprietário de um automóvel, de um diploma, de uma relação estável e - por que não - de uma barriguinha de chopp. Ninguém se opôs a ela. muito pelo contrário. "Você não sabe o quanto eu gastei nessa barriga" era a resposta de praxe de todos aqueles que compartilhavam comigo a condição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio àquela festa, uma coisa começou a me incomodar: Aquele símbolo de maturidade masculina, estava abalando minha masculinidade. Foi do que me dei conta certo dia enquanto me olhava no espelho. Estava experimentando a quarta ou quinta camisa antes de sair de casa quando proferí a seguinte frase: "Estou muito gordo para usar essa camisa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual seria a próximo passo? "Eu não tenho roupa!", "Esse sapato não combina com a minha blusa" ou "Ai meu deus que bolsa linda!!!"? Não! Resolvi sair com aprimeira camisa que me viesse à mão, a fim de provar para mim mesmo que não estava me tornando uma moça. Porém, para a minha derrota me senti mal a noite inteira. Incomodado, me achando feio, achando que aquela roupa me engordava, meu deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava mesmo gordo, e havia chegado num impasse. O que representava então aquela pancinha? Um troféu ou um castigo? O início ou o fim da minha vida como homem? A resposta não veio, mas única solução possível para minha condição me caiu do céu no dia seguinte. O meu pai vinha me dizer que estava fazendo um regime. E que segunda começava na academia. "Tentar perder essa barriguinha. Não quer ir comigo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá fomos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-116942383068369079?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/116942383068369079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=116942383068369079&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116942383068369079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116942383068369079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/01/entre-umas-e-outras.html' title='Entre umas e outras'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-116879029690545686</id><published>2007-01-14T12:54:00.000-03:00</published><updated>2007-01-14T13:00:32.013-03:00</updated><title type='text'>Verde-musgo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/1600/724535/05.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/320/480436/05.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Helinho nasceu com certo defeito no nervo óptico que lhe ampliava o espectro. Via manchas de ultra-violeta em sua roupa branca e nas paredes de casa. Os pais tratavam de entender pois o médico lhes dissera desde cedo: O menino vê além do visível. A roupa voltava para a lavanderia e a parede de casa foi pintada com tinta sintética, própria para pintura em Tela. À mesa, porém, diante de suas manhas, a paciência dos pais se esgotava.&lt;br /&gt;"Não vou comer isso! É ultra-violeta!"&lt;br /&gt;"Isso é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Branco&lt;/span&gt; e se chama &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Couve-Flor!&lt;/span&gt; Trate de terminar seu prato ou vá direto pro quarto!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Embora o problema estivesse, aí, concentrado na Couve-Flor, Helinho desenvolvera, de fato, uma certa repulsa à cor que lhe isolava do mundo. E nem sequer deixava-o mais bonito. Sua cor preferida era o verde-musgo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-116879029690545686?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/116879029690545686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=116879029690545686&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116879029690545686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116879029690545686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/01/verde-musgo_14.html' title='Verde-musgo'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-116826396776554342</id><published>2007-01-08T10:31:00.000-03:00</published><updated>2007-01-08T11:46:39.346-03:00</updated><title type='text'>Depois do carnaval</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/1600/351435/04.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/320/976220/04.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;    Sentado na porta de casa, o rapaz olhava um burro passar. Se movia sem graça e sem pressa pelo meio da poeira e do calor. Fazia seu caminho como se não fizesse diferença chegar a lugar nenhum. Ao passo do burro, o rapaz pensava nos lugares que ele deveria ter visitado. Grandes viagens que ele não tinha feito por motivos pequenos e que não deixaria de fazer no proximo ano. Lembrava de momentos de decisão e sentia saudade do que provavelmente lhe teria acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Caso tivesse entrado para a escola técnica quando teve a chance, a essa altura já teria um emprego. Poderia ir juntando 30. Não. 50 reais por mês. O que não é muito. Ao longo de doze meses já teria seissentos reais. Na verdade mais, por conta dos juros. E poderia reinvestir e já poderia ir tratando de dar entrada numa casa. Ou comprar uma viagem. Ou um carro forte com tração nas quatro rodas para sair por aí uns anos antes de decidir sua vida. Afinal, estava novo. E teria dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda dava tempo de se inscrever no consurso para o tribunal. Mas caso passasse teria de ir viver no Paraná. Começaria uma vida nova. Poderia moldar a forma como os outros lhe veriam. Inventar um apelido de infância pelo qual passaria a ser conhecido, se mostrar resoluto e forte. Recomeçar do zero. No Paraná, seria muito mais interessante e bem sucedido. Chegaria sem conhecer ninguém, é certo. Mas perto de seu novo apartamento, haveria de ter um bar onde ele iria se sentar depois do trabalho, pra conhecer a vizinhança. Já ouvira falar muito das meninas do Paraná. Não demoraria pra conhecer uma. Quem sabe no próprio bar... Aliás não, o lugar é meio sujo. teria de sair mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida se desenha com facilidade quando as poossibilidades estão todas abertas à sua frente. O burro já ia la adiante, devagar, depois da ponte. O rapaz pensou em se levantar, mas desistiu. Não tinha pressa e nem muito o que fazer. Afinal, era dia 31, e o ano só começa mesmo depois do carnaval. Segunda-feira entraria na academia. Em uns três meses já daria pra começar a sentir a diferença. Verão que vem faria sucesso. Poderia ir a alguma praia da moda, mostrar o muque...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-116826396776554342?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/116826396776554342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=116826396776554342&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116826396776554342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116826396776554342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/01/depois-do-carnaval.html' title='Depois do carnaval'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-116785533203124249</id><published>2007-01-03T17:09:00.000-03:00</published><updated>2007-01-03T17:15:32.036-03:00</updated><title type='text'>Em casa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/1600/343009/03.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/320/717766/03.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nem parecia que estava livre. Não foi ver ninguém, não saia de casa. Da rua, não viu a cara. Olhava, às vezes pela janela. Nem sequer lhe passava pela cabeça sair.&lt;br /&gt;A liberdade é um problema meramente psicológico. Tampouco estava preso. Só estava, depois de tanto tempo, em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-116785533203124249?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/116785533203124249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=116785533203124249&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116785533203124249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116785533203124249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2007/01/em-casa.html' title='Em casa'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-116697245082517907</id><published>2006-12-24T11:53:00.000-03:00</published><updated>2006-12-24T12:00:50.836-03:00</updated><title type='text'>O caixote de memórias</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/1600/602256/592112_41306736.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/320/16836/592112_41306736.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez uma garrafa de detergente que foi comprada por um senhor bem velho. Mas bem velho mesmo, tipo uns cem anos. Mas não era um velho velho daqueles que passam o dia se balançando na cadeira e assistindo a passagem do tempo sem se dar conta. Daqueles que não se dão mesmo conta porque o tempo que eles assitem passar já passou há muito, muito tempo. Era um velho daqueles que ainda são jovens e andam e que se preocupam com as coisas que passam. Afinal, ele mesmo acha que já passou, e algumas vezes não tem certeza se é ele mesmo que está alí, ou se ele é só uma memória que anda e vai até o supermercado comprar detergente pra fazer bolinhas de sabão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um menino que brincava na praia com um caixote. Era um caixote velho que chegou trazido pelo mar num dia de sol. O menino estava sozinho na praia brincando e ficou feliz com a surpresa. Não pensou duas vezes. Abriu o caixote pra ver o que tinha dentro. E achou um monte de brinquedos velhos e estragados num monte de areia e sargaço que cobria tudo. Ele pensou que o caixote tivesse sido enviado a muito muito tempo por algum marinheiro velho e brincalhão. Como um tesouro que um dia alguém tem de encontrar. E que tinha navegado alguns anos perdido nos mares do caribe até ser trazido por uma corrente marinha até ele. E brincou de enterrar os brinquedso velhos num cemitério de brinquedos velhos. Que foi o fim mais solene no qual ele pode pensar para uns brinquedos que deviam estar cansados de viajar por aí num caixote carcomido pelas cracas e sargaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez uma bolinha de sabão que matou um velho numa tarde de sábado. Foi a bolinha mais bonita que o velho ja fez em quase 30 anos de parque. E as crinaças do parque se alvoroçaram ao ver uma bolinha tão grande e perfeita e correram até ela aos pulos. Mas ela vôou mais alto que as crianças pudessem alcançar e mais alto que o velho pudesse continuar a ver. E assustou um passarinho que não conhecia bolinhas de sabão. E encantou a moça que vendia sorvete e que veio correndo tentar impedir o velho de subir na árvore atras da bolinha. Mas que só conseguiu chegar a tempo de lhe trazer o caixão aonde ele cairia. E o velho caçador da maior e mais perfeita bolinha de sabão já vista caiu da arvore direto no caixão que a moça trouxe, no momento em q a bolinha de sabão estourou contra um galho, já com os braços cruzados sobre o peito e o paletó preto de luto pela propria morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um enterro que não durou nem um minuto inteiro. Não durou nem um minuto em parte porque não tinham convidados alem de umas crianças de rua, uma moça que vendia sorvetes e um passarinho assustado, em parte porque o mar carregou o caixão antes que se pensasse em cavar um buraco. Mas o caixão não carregava um morto. Carregava uma memória que andava e ia até o supermercado comprar detergente para fazer bolinhas de sabão. E a memoria presa deve ter navegado por muito muito tempo em diversos mares das antilhas e do caribe. Colecionando cracas e sargaços. Colecionando novas memorias de lugares maravilhosos e incertos que acabaram por lhe fazer de brincadeira. E só foi encontrar descanso através das mãos de um menino que brincava sozinho, numa praia indeterminada e efêmera onde o mar por fim lhe levou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-116697245082517907?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/116697245082517907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=116697245082517907&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116697245082517907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116697245082517907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2006/12/o-caixote-de-memrias.html' title='O caixote de memórias'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37310771.post-116636302735934355</id><published>2006-12-17T10:40:00.000-03:00</published><updated>2006-12-18T12:59:48.326-03:00</updated><title type='text'>Quase um sucesso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/1600/19388/01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6503/129/320/665236/01.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tenho quase 23 anos e sou quase baiano.&lt;br /&gt;Estou quase formado e ando quase satisfeito às vezes, mas quase infeliz no resto do tempo. Quase nunca paro de reclamar, mas quase sempre tenho razão. Quase jogando fora essa auto-descrição tosca e quase piegas tão cheia de quases que quase me dá nos nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase é o pouco que me falta pra que tudo dê certo. Porque eu sempre quase passo, quase fracasso, quase chego lá. Mas na maior parte do tempo fico no limbo. Naquela pequena distância. No passo que me falta e eu não sei dar. Naquele quase que é um quase nada, mas é quase sempre confundido com um quase alguma coisa. É a infinita distância que liga os dois pontos ou a mínima que os separa para sempre. Afinal o mundo é feito de precipícios e abismos de um centímetro. De grandes tufões que não derrubam uma única folha. O mundo é feito de quases, e eu sou QUASE um sucesso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37310771-116636302735934355?l=quaseumsucesso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/feeds/116636302735934355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37310771&amp;postID=116636302735934355&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116636302735934355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37310771/posts/default/116636302735934355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quaseumsucesso.blogspot.com/2006/12/quase-um-sucesso.html' title='Quase um sucesso'/><author><name>Ivan Seixas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13794978553626725657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
